Imagem: Leonam Souza
Vista parcial da voçoroca de Santa Filomena (PI), localizada na Serra da Banja, a 35 quilômetros do perímetro urbano
Uma parceria do Governo do Piauí e a Companhia de Desenvolvimento dos
Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) garantiu a estabilização de
uma das maiores voçorocas do Brasil, localizada na Serra da Banja, no
município de Santa Filomena, a 925 km de Teresina.
A voçoroca é um gigantesco “buraco”, aberto pela força da água das
chuvas, que escorre pela superfície. Na verdade, uma erosão hídrica, que
ocorre quando o caminho de escoamento das águas pluviais se concentra
num determinado percurso.
Imagem: Leonam Souza
Delimitação das áreas onde foram alocadas curvas de nível para formar terraços e controlar o escoamento superficial
Imagem: Leonam Souza
Área do entorno imediato da voçoroca em que foi cercada e revegetada com espécies nativas do cerrado piauiense
Imagem: Google
Estrada ecológica de 14 quilômetros tangente à voçoroca, que visa colocar a consciência ambiental em primeiro plano
Segundo explicações da Codevasf, pela voçoroca de Santa Filomena, nada
menos que 300 mil metros cúbicos de sedimentos foram carreados e levados
para as áreas mais baixas da paisagem, agravando o processo de
assoreamento da calha do rio Parnaíba.
No ambiente foi aplicado um pacote de ações, que incluíram desde a
adequação de estradas rurais até a implantação de terraços em nível,
além da execução de outros trabalhos, como: contenção e reversão do
estágio avançado de degradação ambiental causada pela intensa erosão;
implementação de procedimentos técnicos objetivando a recuperação da
área degradada; readequação de 25 quilômetros de estradas empregando
sistema de manejo conservacionista (estrada ecológica); e construção de
terraços em uma área de 300 ha a montante da voçoroca e 30 ha na área protegida.
Imagem: Leonam Souza
Aspectos da construção dos barramentos de terra no interior da voçoroca para controlar o processo erosivo instalado
Imagem: Google
Localização dos barramentos no interior da voçoroca que já carreou mais de 300 mil ton de sedimentos ao rio Parnaíba
Também foram construídos curvas de nível para alocação de terraços e
recomposta a vegetação da área terraceada, bem como realizada
a.revegetação da área periférica da voçoroca, num total de 30 hectares.
Igualmente, foram construídos 2.800 metros de cercas com 10 fios de
arame farpado e barramentos de terra no interior da voçoroca,
objetivando impedir o livre fluxo da água que desce das plantações de
soja.
A avaliação e a difusão dos resultados ocorreu através da produção de
material de educação ambiental, com a impressão de 5.000 cartilhas – até
onde sabemos, essas cartilhas ainda não chegaram em Santa Filomena – e a
instalação de seis placas no local do serviço, sendo três de educação
ambiental e três de advertência.
Imagem: Leonam Souza
Efetiva contenção do escoamento superficial numa área a montante da voçoroca, através do terraceamento em nível
A Codevasf conseguiu estancar o estrago, reduzindo o aporte de
sedimentos que chegavam à calha do rio. Além disso, a ação disciplinou o
caminho percorrido pela água da chuva, que passou a infiltrar no solo
ao invés de escorrer superficialmente pelo interior da voçoroca.
De quebra, ao impedir que grandes volumes de água de chuva cheguem
rapidamente ao rio pelo trajeto da voçoroca, a ação conseguiu amenizar
os alagamentos nos municípios do entorno nos períodos chuvosos. O
investimento na estabilização da voçoroca de Santa Filomena foi de R$
1,3 milhão.
Imagem: Leonam Souza
Difusão dos resultados alcançados através de placas identificadoras instaladas nas áreas, contendo dados do projeto
Parcerias - No Piauí, Codevasf e Governo do Estado mantêm
quatro parcerias ainda em andamento. Uma delas, de R$ 3 milhões, com a
Fundação Agente, está promovendo a recuperação de áreas degradadas em
processo de desertificação.
Em outra parceria, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos
Hídricos (Semar) está sendo feita a demarcação topográfica, levantamento
físico, agrícola e jurídico do Parque Nacional das Nascentes do
Parnaíba, com custo de R$ 4,5 milhões.
Também em parceria com a Semar, a Codevasf está apoiando as obras de
controle e estabilização de dunas na região do Delta do Parnaíba,
investindo R$ 1,6 milhão.
Com a Associação de Reposição Florestal do Estado do Piauí (Piauiflora),
está sendo feita a implantação de viveiros de referência para produção
de mudas de espécies nativas para atender toda a bacia do Parnaíba. O
investimento é de R$ 1,5 milhão.
Fonte: CCOM e Blog do Leonam Souza