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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Bom inverno indica que teremos mais uma super safra de soja em Santa Filomena

Área cultivada com SOJA na Serra das Guaribas, a cerca de 60 quilômetros da cidade de Santa Filomena



Em Santa Filomena, no sudoeste do Piauí, o verde intenso das lavouras de soja é sinal de que as chuvas estão se mantendo normais, principalmente agora, no período reprodutivo, em que as plantas precisam de mais água.

Nos últimos 84 dias (1º de novembro/2017 a 23 de janeiro de 2018) foram registrados 399,5 mm na sede municipal, segundo dados do EMATER-PI, o equivalente à média de 4,75 milímetros por dia, por sinal, bem distribuídos.

BOM INVERNO! Com todos os fatores de produção normais, lavouras de soja indicam mais uma super safra

A soja necessita de 500 a 700 mm de água durante todo o ciclo (exceções podem exigir apenas 450 mm e outras 800 mm), que pode chegar a 120 dias, o que resulta em 2 litros de água para cada grama de soja. No momento da formação das folhas, quando a planta mais consome água, caso o ambiente esteja seco, ela ainda sobrevive e pode esperar por chuva mais para frente.

Porém, caso falte água na época do enchimento das vagens, a perda pode ser de 80 a 100%. Nesta fase, a planta necessita entre 7 e 8 mm de água por dia. A melhor forma da chuva ajudar ao agricultor é ser bem distribuída durante todo o período, como, aliás, vem ocorrendo na Safra 2017/2018.

As plantas de soja se acham em plena floração, começando a polinização e iniciando a formação de vagens

O plantio da soja no cerrado do Piauí começou ainda em novembro. Agora, quase 3 (três) meses depois, os resultados não poderiam ser melhores.

Aliás, as informações que temos é que 100% da soja plantada no sudoeste do Piauí e no Maranhão está em boas condições, aumentando a confiança nos agricultores de que mais uma vez teremos uma super safra da oleaginosa.

De uma maneira geral, as plantas estão em plena floração, começando o processo de polinização e, consequentemente, a formação das vagens. Em relação ao crescimento, os “pés” de soja apresentam o tamanho ideal.

Trecho final da PI-397 (TRANSCERRADO), no encontro com a BR-235 (Estrada Gilbués/Santa Filomena)

Transcerrado - O problema agora é garantir a trafegabilidade das estradas por onde deverão escoar as centenas de milhares de toneladas de grãos de soja. Face à ausência do Governo, sojicultores estão fazendo “vaquinha” para realizarem obras na PI-397 (Transcerrado), já que boa parte da rodovia se encontra esburacada, novamente atolando e até tombando caminhões.

De acordo com a APROSOJA, cerca de 30% (trinta por cento) da produção de grãos do cerrado piauiense passa pela Transcerrado. E mais uma vez a cena se repete: produtores são obrigados a bancar custos com máquinas e operadores para manter uma estrada que pertence ao Governo do Piauí.

BR-235/PI (Estrada Gilbués/Santa Filomena) cortando os verdes campos de soja na Serra das Guaribas

Até quando o setor agrícola vai ter que carregar o Brasil nas costas? Na verdade, os governos pouco contribuem com a logística da soja, oferecendo apenas vias precárias de transporte entre as fontes primárias de produção.

Essas estradas de terra aumentam o valor do frete e é determinante para a falta de caminhões, sendo um dos principais gargalos enfrentados pelos agricultores, que ainda enfrentam as adversidades de ordem climatológica.

Não podemos esquecer que Santa Filomena conta hoje com a BR-235/PI (estrada Gilbués/Santa Filomena), cortando os verdes campos de soja na Serra das Guaribas. Mas os agricultores da Serra da Fortaleza continuam sofrendo com esse apagão logístico: sem estrada e sem energia elétrica.
 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Seca histórica no Cerrado leva prefeito a decretar Situação de Emergência

Imagem: José Bonifácio/GP11(Imagem:José Bonifácio/GP1)
SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA! Quem plantou soja no final de novembro, amarga prejuízo de 100%, com 31 dias de estiagem

Setembro passou, com oitubro e novembro/Já tamo em dezembro. Meu Deus, que é de nós?”... “Rompeu-se o Natá, porém barra não veio/O só, bem vermeio, Nasceu munto além/Meu Deus, meu Deus”... Quem não conhece a Triste Partida, toada de Patativa do Assaré, gravada por Luiz Gonzaga em 1964, que mostra o retrato cruel do povo do sertão?

No ano 2015, o Cerrado Brasileiro, espaço territorial onde se encontram as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), além da bacia do nosso Rio Parnaíba, o que, em tese, resulta num elevado potencial aquífero e favorece sua biodiversidade, está, assim como a Caatinga, enfrentando uma seca histórica.


Imagem: José Bonifácio/GP11(Imagem:José Bonifácio/GP1)
3(Imagem:José Bonifácio/GP1)ESTRESSE HÍDRICO: Já faz 31 dias que não chove na maioria das fazendas de soja situadas na Serra da Fortaleza

Pelas informações que se tem, o problema é igual em quase todo o Bioma Cerrado, desde o norte de Mato Grosso até o sul do Piauí, passando por Goiás, Bahia, Tocantins e Maranhão.

Em Santa Filomena, no sudoeste do Piauí, a situação não é diferente. Para que se tenha idéia do estresse hídrico, faz 31 dias que não chove na maioria das fazendas localizadas na Serra da Fortaleza. Noutras áreas agrícolas e no restante do território filomenense, ocorreram só chuvas esparsas, insuficientes para a germinação/emergência, já que a soja necessita de 6 mm/dia no início, atingindo o máximo durante a floração/enchimento de grãos (7 a 8 mm/dia).


“O plantio já era para estar todo finalizado. Essa soja aqui tá com 35 dias, já era para estar fechada, e com certeza já tem um comprometimento de no mínimo trinta por cento”, disse o agricultor Amarildo Martinho dos Santos, membro da Associação dos Produtores da Serra da Fortaleza (Aproforte), que junto com seu pai, o paranaense (brasilguaio) Salmi Martinho dos Santos, tenta plantar 1.100 hectares, sendo 800 de soja e 300 de arroz. Mas até o momento não conseguiram plantar mais que 500 hectares de soja, no final de novembro. De lá para cá, choveu apenas 24 mm, distribuídos em 4 dias. Estima-se que 40% da lavoura já está perdida.

Imagem: José Bonifácio/GP14(Imagem:José Bonifácio/GP1)
Pela imagem é possível perceber o ponto de murcha permanente das plantas de soja, ocorrido devido ao extresse hídrico

“Hoje já são 29 de dezembro e taí essa decepção pra gente. Não se sabe mais o que fazer, né?”, lamenta, desolado, seu Salmi. E pontifica: “Se Deus quiser, uma hora vai dar certo”.

Em outra Fazenda vizinha à Santo Expedito, verificou-se que dos 1.800 hectares que deveriam ser cultivados com soja, somente 600 foram plantados, no final de Novembro. Mas que, devido à falta de chuvas, não germinou a contento. Até mesmo o replantio foi totalmente perdido.

Condições idênticas passam os agricultores mais ao centro da Serra da Fortaleza. Segundo o paranaense Fábio Michelan, “a última chuva vista na Serra da Fortaleza ocorreu no dia 28 de Novembro”, acrescentando que dos cerca de 40 mil hectares previstos para serem plantados na área abrangida pela Aproforte, talvez uns 15 mil foram plantados, com perda total. “A janela da soja se encerrou dia 15. Se voltar a chover, a gente não sabe nem o que ainda vai plantar, se milho, se feijão ...”, diz Fábio, bastante preocupado com as dívidas que vencem em 2016.

E como fica o outro sulista Avelino Alves da Silva, que arrendou 600 hectares e agora não sabe nem como vai fazer para pagar o arrendamento? E o seu amigo e conterrâneo Nelson, que não resistiu à seca, depois de perder 1.100 hectares de soja, e viajou para o Paraná?


Imagem: José Bonifácio/GP1O caderno de anotações do Sr. Salmi dos Santos confirma(Imagem:José Bonifácio/GP1)
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Anotações do Sr. Salmi confirmam a seca severa; quem plantou perdeu;  e quem não plantou, será que ainda vai plantar?

SITUAÇÂO DE EMERGÊNCIA - O prefeito Esdras Avelino Filho deverá decretar no primeiro dia útil de janeiro de 2016, portanto, segunda-feira (04), “Situação de Emergência” em todo o Município de Santa Filomena, em função da anormalidade provocada pela falta de chuvas.

Para decretar a Situação de Emergência estão sendo considerados vários pontos, sobretudo o clamor dos agricultores e criadores, por causa da não ocorrência ou reduzida ocorrência de chuvas no Município durante os meses de Novembro e Dezembro de 2015 (época do plantio), ficando claramente cristalizado do ponto de vista climático um quadro de “Seca Severa”.

O gestor está considerando dados do EMATER, os quais apontam que choveu o equivalente a 127,0 mm em Novembro (68% da média histórica de 186,6 mm/1984 a 2014) e 56,5 mm até 28 de Dezembro (representam tão somente 22,7% da média histórica de 244,2 mm/1984 a 2014).


Imagem: José Bonifácio/GP1O que esperar desse plantio de soja, com 30 dias de plantado e com menos de 8 plantas (Imagem:José Bonifácio/GP1)
O que esperar desse plantio de soja, após 30 dias de semeada, com crescimento retardado e menos de 8 plantas/m linear?


O prefeito Esdras Avelino considera também que choveu menos de 30 mm na maior parte do Município de Santa Filomena e que faz 31 dias que não chove na Serra da Fortaleza nem no Vale do Riozinho, numa evidência de que o quadro caracteriza a Situação de Emergência.

O decreto levará ainda em consideração que tanto a Zona Urbana quanto a Zona Rural de Santa Filomena já se encontram seriamente afetadas com a escassez dos recursos hídricos utilizados na produção agrícola e pecuária, bem como, ainda, no consumo humano e animal.

A vigência da Situação de Emergência em Santa Filomena, conforme disse o prefeito ao GP1/Blog do José Bonifácio, valerá pelo prazo de 180 dias, contados da data de publicação do Decreto, podendo ser prorrogado por igual período, caso persistam as conseqüências.

Portanto, para o restabelecimento da situação de normalidade, haverá necessidade de reforço ou suplementação dos recursos do Município pelos Governos Estadual e Federal, evitando, dessa forma, o desastre sócio-econômico da população direta ou indiretamente atingida pela seca, haja vista as dificuldades encontradas pela Administração Pública Municipal quanto à adoção de medidas emergenciais que minimizem essa inusitada condição de anormalidade.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Mesmo com o avanço da soja e do milho, ainda se planta arroz no Cerrado

Imagem: José Bonifácio/GP11(Imagem:José Bonifácio/GP1)O plantio de arroz de sequeiro no cerrado do Piauí começou na Faz. Baixa Serena, a 40 quilômetros de Santa Filomena

A cultura do arroz de sequeiro, pouco exigente em insumos e tolerante a solos ácidos, teve um destacado papel como cultura pioneira durante o processo de ocupação agrícola do Cerrado, iniciado na década de 60. No Piauí, começou pelo município de Santa Filomena, no ano de 1978, quando os pioneiros Antonio Luis Avelino Filho e Esdras Avelino Filho realizaram, na Fazenda Baixa Serena, distante 40 quilômetros da cidade, o primeiro plantio mecanizado.

Esse processo de abertura de área teve seu pico no período 75-85, em que a cultura chegou a ocupar área superior a 4,5 milhões de hectares. O sistema de exploração caracterizava-se pelo baixo custo de produção, devido à pouca adoção das práticas recomendadas, incluindo plantios tardios. Entretanto, a significativa ocorrência de veranicos fazia com que a cultura apresentasse uma produtividade média muito baixa, ao redor de 1.350 kg/ha, sendo assim considerada como de alto risco e gerando centenas de casos de Proagro (Seguro Agrícola).


Imagem: José Bonifácio/GP12(Imagem:José Bonifácio/GP1)Mais de 30 anos depois, o plantio do arroz de terras altas representa só 3% da área dos cerrados na safra 2013/2014

Apesar desse panorama pouco promissor, que culminou com a falência da maioria dos agricultores - são poucos os que conseguiram se manter na atividade -, naquele período a pesquisa já oferecia um leque de alternativas para a minimização da adversidade climática, incluindo cultivares tolerantes à seca, classificação do grau de risco em todos os municípios produtores, adequação da época de semeadura e do ciclo das cultivares, preparo de solo e manejo de fertilizantes, visando aprofundamento radicular e aumento da reserva útil de água no solo, além de técnicas do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.

Com a progressiva redução das áreas de abertura, em meados da década de 80, a área cultivada com arroz sob o sistema de cultivo de sequeiro, foi sendo gradativamente reduzida, ao mesmo tempo em que a fronteira agrícola se moveu no sentido sudeste-noroeste do Brasil.


Imagem: José Bonifácio/GP13(Imagem:José Bonifácio/GP1)
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5(Imagem:1)Mas os produtores que insistem com o cultivo de arroz de sequeiro nas serras do Piauí conseguem boa produtividade

A conseqüência desse movimento foi a redução do risco climático, o que tornou mais propícia a aplicação das tecnologias recomendadas pela pesquisa. Para novas e promissoras áreas, a criação de cultivares de tipo de planta moderno (estatura e perfilhamento intermediários, com folhas eretas), de maior potencial produtivo e grão do tipo "agulhinha", além do crescimento do nível de insumos aplicados, motivado pela melhor relação custo/benefício, trouxe um substancial aumento da aceitação do produto pela indústria/consumidores.

Apenas 3% da área plantada nos Cerrados – Atualmente, nos cerrados do Piauí, a área plantada com a cultura do arroz de sequeiro é pouco significativa. Em toda a região de Santa Filomena, por exemplo, temos menos de 4 mil hectares cultivados com o “arroz de terras altas” na safra 2013/2014, ante os 115 mil hectares de soja e cerca de 15 mil hectares com milho.


Imagem: José Bonifácio/GP1João Lustosa:(Imagem:José Bonifácio/GP1)JOAO LUSTOSA: "Pelo aspecto atual da lavoura, acredito que vai dar para colher em torno de 65 sacas por hectare"
 
Um dos poucos remanescentes, que ainda insistem em plantar arroz de sequeiro no cerrado piauiense, é o senhor João Lustosa Avelino, ex-presidente da Câmara e ex-prefeito de Santa Filomena, que plantou 40 hectares da variedade Cambará, na Fazenda Folha Larga, e pretende colher 2.500 sacas, com produtividade média acima de 60 sacas/hectare.

“Pelo aspecto atual da lavoura, já soltando o cacho, e com as condições climáticas normais, acredito que vai dar para colher em torno de 65 sacas por hectare”, diz Lustosa.


terça-feira, 18 de março de 2014

Santa Filomena deverá colher a maior safra de milho de sua história

Imagem: José Bonifácio/GP11(Imagem:José Bonifácio/GP1)Com cerca de 15 mil hectares plantados, a região de Santa Filomena deverá colher 20% do milho do cerrado piauiense

A estimativa da colheita total de milho do Brasil foi ajustada para 72,6 milhões de toneladas, um volume 4,84% abaixo das 76,3 milhões de toneladas previstas anteriormente. A previsão é que o País produzirá 30,4 milhões de toneladas na primeira safra e 42,2 milhões de toneladas na safrinha, inclusive no sudoeste do Piauí e no sul do Maranhão.

Dos cerca de 130 mil hectares cultivados na região de Santa Filomena, sudoeste piauiense, a soja é o carro-chefe do plantio, com aproximadamente 115 mil hectares. Caso se confirme a produtividade média, em torno de 50 sacas por hectare, a produção pode chegar a 345 mil toneladas, representando 18,3% de toda a produção da oleaginosa no Piauí, estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 1,878 milhão de toneladas.
 
Imagem: José Bonifácio/GP12(Imagem:José Bonifácio/GP1)Já em estágio de emborrachamento e polinização, o rendimento médio da cultura poderá alcançar 10.000 quilos/hectare

Os 15 mil hectares restantes estão ocupados com a cultura do milho, tomando também a área antes plantada com algodão herbáceo. Assim, a safra de verão 2013/2014 em Santa Filomena responderá por quase 20% (150 mil toneladas) da produção do grão nos Cerrados do Piauí, segundo os cálculos da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Piauí (Aprosoja/PI), que projetou o cultivo de 90 mil hectares no Estado, considerando a agricultura comercial.

SUBINDO A SERRA – Apesar dos grandes produtores ainda estarem superando os limites técnicos e de infraestrutura, o milho está migrando dos Baixões Agrícolas para as Serras, responsivo à tecnologia disponível, se tornando uma cultura economicamente viável.

O cerrado de Santa Filomena e de toda a região conhecida como Mapito, compreendendo terras do Maranhão, Piauí e Tocantins, tornou-se uma nova fronteira para a soja na última década, e agora mostra um forte potencial para o plantio de milho. Utilizado inicialmente na rotação de culturas, o milho vem ganhando espaço nas últimas safras no Piauí.


Imagem: José Bonifácio/GP13(Imagem:José Bonifácio/GP1)
2(Imagem:1)Lavouras de milho na Serra das Guaribas, em Santa Filomena, cortadas pela BR-235 (estrada Gilbués/Santa Filomena)

Grandes produtores estão obtendo rendimentos próximos às médias dos Estados Unidos, o maior produtor mundial de milho, com média de 161 sacas/hectare (9.660 quilos/hectare).
De acordo com o pesquisador da Embrapa Meio Norte em Teresina, Milton Cardoso, as condições topográficas e climáticas estimulam o plantio de milho no sudoeste do Piauí, especialmente em Santa Filomena, e também no sul do Estado do Maranhão.

Além disso, o regime de chuvas na região (entre 1.000 e 1.500 milímetros no período de novembro a maio) é favorável ao cultivo de lavouras de 120 a 130 dias, como é o caso do milho, portanto, diferente do regime do semi-árido, com 400 a 700 mm e mal-distribuídos.

Por outro lado, as temperaturas mais amenas na região de serra também favorecem o milho, de acordo com o pesquisador Milton Cardoso. Com altitudes entre 400 e 500 metros, as áreas têm temperaturas noturnas na faixa de 22 graus, excelente para o cultivo do milho.

Fonte: Cerrados do Piauí


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Produção de soja na região de Santa Filomena deve bater novo recorde

Imagem: Reprodução1(Imagem:Reprodução)Com a chegada das chuvas, alguns agricultores de Santa Filomena, no sudoeste do Piauí, já iniciaram o plantio da Soja

A previsão da área plantada na safra 2013/2014 em todo o estado do Piauí será de 1.356.000 hectares, de acordo com o primeiro levantamento da intenção de plantio, realizado no período de 16 a 20 de setembro, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A estimativa de crescimento está entre 4,7% e 7%, se comparado à safra anterior, que foi de 1,264 milhão de toneladas. Significa dizer que a produção de grãos no Piauí deve bater um novo recorde, podendo alcançar a inédita marca de 2,8 milhões de toneladas.

Na região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o fato da janela de plantio não permitir uma segunda safra (a não ser sob pivô), sinaliza que a demanda reprimida nordestina por milho, será sempre um fator que irá influenciar os preços e a decisão de plantio.

A possibilidade de que a região volte a apresentar um quadro de normalidade climática, impulsiona o produtor local a criar um espaço para o plantio do cereal.


Imagem: José Bonifácio/GP12(Imagem:José Bonifácio/GP1)Quem ainda não deu início ao plantio já está com a área devidamente preparada e deverá começar até o próximo dia 15
 
No município de Santa Filomena, deverão ser cultivados cerca de 130 mil hectares. Como sempre, a soja será o carro-chefe do plantio, com aproximadamente 115 mil hectares. Caso se confirme a produtividade média, em torno de 50 sacas/hectare, a produção pode chegar a 345.000 toneladas, o que representará 12,3% de toda a produção de grãos do Piauí.

Com a chegada das chuvas, a previsão é de que o plantio da soja inicie até o próximo dia 15.

Na área do MATOPIBA (sul do Maranhão, leste do Tocantins, sudoeste do Piauí e extremo oeste da Bahia), o período chuvoso tem início em outubro, cuja média se situa entre 100 e 150 mm. Os modelos indicam que o acumulado deve ficar próximo ou abaixo da média.

Para o trimestre, alguns modelos climáticos indicam que há uma probabilidade significativa de que o acumulado de chuvas fique dentro da sua faixa normal, que é entre 400 e 600 mm no Tocantins, e entre 350 e 500 mm no sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da Bahia.


FONTE: http://www.gp1.com.br/blogs/producao-de-soja-na-regiao-de-santa-filomena-deve-bater-novo-recorde-323973.html 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Vai começar o plantio de mais uma safra recorde nos cerrados do Piauí

Imagem: José Bonifácio/GP1Area preparada(Imagem:José Bonifácio/GP1)Agricultores da região de Santa Filomena seguem preparando a terra para o plantio de aproximados 100.000 hectares

Começa nesta semana o plantio da maior safra de soja do Piauí. Embora um pouco atrasado, o período de chuvas está chegando ao sudoeste do Piauí e os produtores da região de Santa Filomena, desde a Serra do Ouro até a Serra da Fortaleza, seguem preparando a terra e devem iniciar o plantio da safra 2012/2013 a partir de amanhã, terça-feira, dia 20.

A histórica estiagem de quase 6 meses intimidou um pouco os empresários rurais. Assim, todos eles preferiram cautela e decidiram esperar um pouco para começar a semeadura em cerca de 100 mil hectares da chamada safra de verão, sobretudo nas culturas de soja e milho.

Imagem: José Bonifácio/GP1No plantio direto, a aplicação de herbicida dessecante(Imagem:José Bonifácio/GP1)No plantio direto, a aplicação de herbicida dessecante substitui a aração e a gradagem, feitas no plantio convencional

Desde que a umidade do solo atingiu um nível que possibilitasse os implementos agrícolas de revolvê-lo - precipitação em torno de 50 milímetros - as primeiras operações de preparo do solo (gradagem niveladora, por exemplo) foram iniciadas.

Segundo dados do EMATER, fornecidos pelo escritório local de Santa Filomena, as chuvas de novembro, do dia 1º até ontem, 18, somaram mais de 150 milímetros de água, índices que favoreceram as primeiras operações de preparo do solo para a semeadura.

Imagem: José Bonifácio/GP1A chuva(Imagem:José Bonifácio/GP1)As chuvas caídas em novembro já somaram mais de 150 mm e a umidade do solo se encontra adequada para o plantio

Quanto às expectativas para a próxima safra, os agricultores se dizem confiantes, mesmo com a possibilidade de algumas surpresas. Na verdade, os produtores do cerrado tem maior poder aquisitivo, investem mais em tecnologias e arriscam começar o plantio mais cedo para se prevenirem de variações climáticas no futuro.

Num cenário bem mais amplo, há a possibilidade de que, pela primeira vez, o Brasil poderá ultrapassar os Estados Unidos na produção de soja. O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, que dias atrás abriu oficialmente o plantio da safra 2012/2013 na cidade de Sorriso (MT), acredita ser o momento considerado um marco na história do agronegócio nacional.

O país deverá colher 82,2 milhões de toneladas, conforme previsão da consultoria de agronegócios Safras & Mercado, ante a produção de 71,6 milhões de ton nos EUA.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Produtores aderem ao "feijão safrinha", a mais nova alternativa dos Cerrados

Uma nova ideia está se instalando na mente dos produtores de soja do cerrado piauiense, para driblar a recente desvalorização do câmbio, que vinha (e ainda vem) penalizando as culturas de exportação: o feijão-caupi, também conhecido como feijão macassar ou feijão-de-corda, até então uma cultura restrita aos pequenos agricultores do semiárido nordestino.

Claro que não se trata mais daquele feijão apelidado de “quebra-cadeira”, devido àquela incômoda posição de quem o colhia, tendo em vista que suas ramas se espalhavam pelo chão. Graças ao trabalho de pesquisa da Embrapa Meio-Norte, hoje existem cultivares de porte mais compacto e ereto, que possibilitam a mecanização da lavoura, do plantio até a colheita.

Na Fazenda Jatobá, localizada na Serra das Guaribas, município de Santa Filomena (PI), à altura do quilômetro 70 da rodovia BR-235/PI (Estrada Gilbués/Santa Filomena), estão sendo cultivados quase 400 hectares desse feijão Vigna unguiculata, tipo “sempre verde”, diferente do “carioca”, que tem consumo concentrado no sul do país e ainda não é tradicional entre os consumidores da região nordeste do Brasil.

“Quem já não comeu um feijão verde com farofa e vinagrete? Pois é deste feijão macassar que se faz este delicioso prato”, diz o imigrante sulista Erno Marcos Scherer, proprietário da Fazenda Jatobá, que está bastante otimista quanto ao rendimento do seu feijão safrinha, uma novidade nos cerrados do Piauí, cujas condições edafoclimáticas dificultam muito o cultivo na entressafra ou safrinha (período seco) e o estabelecimento de cobertura eficiente do solo.

Segundo Erno Scherer, o feijão caupi passa a ser uma nova opção de renda também para a agricultura empresarial no sudoeste do Piauí. “É uma alternativa para ser cultivada eventualmente em safrinha, após a colheita das principais culturas, podendo ainda se obter bons resultados, além de ser um alimento muito apreciado”, finaliza.

O estímulo ao plantio da leguminosa vem do preço: enquanto o feijão-carioca está cotado a 160 reais a saca de 60 quilos em Irecê (BA), o caupi chegou a valer 300 reais em algumas cidades do sudoeste baiano, como Barreiras e Luis Eduardo Magalhães. Por outro lado, no período de seca, na entressafra da soja, o plantio do feijão é feito em terras férteis, ricas em nutrientes. Isso faz com que pouca água seja suficiente para o desenvolvimento da planta.