GROTA DO MARIMBONDO: Mais uma vez a pista está afundando sobre o bueiro e aumentando o risco
Motoristas
que trafegam pela rodovia BR-235/PI (estrada Gilbués/Santa Filomena),
principalmente nos últimos 50 quilômetros, no sentido Santa Filomena, estão expostos
a riscos por causa de buracos no acostamento e afundamentos
nas pistas de rolamento, além de uma depressão
na Grota do Marimbondo, entre a ladeira da Cambaúba e o Povoado Matas.
Erosão na Ladeira do Saquinho, descida para o Povoado Matas, já destruiu o acostamento e ameaça a pista
Na
ladeira do Saquinho, descida para o Povoado Matas, parte do acostamento cedeu
devido a uma erosão no solo, durante o período chuvoso, e o buraco está quase invadindo a pista. Situação
bem parecida acontece na curva da Fazenda Certeza, a 18 km da zona urbana de
Santa Filomena. O problema vem se arrastando há meses, desde as chuvas intensas do início do ano,
mas até o momento, nenhuma providência está sendo tomada.
Outra erosão no acostamento, depois da curva da Fazenda Certeza, pode representar riscos aos motoristas
Outro
grande perigo aos condutores de veículos são as irregularidades nas pistas de
rolamento, em diversos trechos, do Povoado Matas à Ponta da Serra, onde
o asfalto cedeu, formando trilhos (bitolas). O maior risco ocorre em
dias chuvosos, pois a água pode fazer o veículo “aguaplanar”.
Afundamentos e fissuras na pista, da ladeira do Saquinho até a Ponta da Serra, são outros 'fatores de risco'
DEPRESSÃO NA PISTA - Mas o que vem
aborrecendo mesmo os motoristas que transitam pela estrada Gilbués/Santa
Filomena é o rebaixamento da pista no bueiro da Grota do Marimbondo. A depressão
tem cerca de 30 centímetros de profundidadade e, se passar a mais de 120 km por
hora, pode desequilibrar o veículo e capotar, como o acidente de dias atrás com uma caminhonete
Hilux, que tombou no local e causou a morte instantânea de um senhor. Para
aumentar o risco, caminhões e outros veículos que transitam no sentido Gilbués precisam
invadir a faixa contrária para passar, inclusive pelo acostamento, tentando fugir
do “pulo”, num zique-zague maluco.
Depressão no bueiro da Grota do Marimbondo, com cerca de 30 cm de profundidade, perto do Povoado ...
Como se não bastasse o precipício, chama atenção a falta de sinalização. Não
existe placa alertando sobre o perigo e pedindo a redução da
velocidade. Até uns cones velhos que lá colocaram não se encontram mais.
DEVER DE MANUTENÇÃO
- Está na jurisprudência pátria o entendimento de que é objetiva a
responsabilidade da União, nos casos de acidente em BR's
ocasionado pela má conservação da via. Essa compreensão decorre do dever
legal que tem a Nação, de prover a segurança do tráfego nas rodovias
federais, por meio de ações de manutenção e conservação.
... Matas, pode ter sido uma das causas desse terrível acidente ocorrido há alguns dias, com vítima fatal
GARANTIA QUINQUENAL - Nunca é demais lembrar que a BR-235/PI (Gilbués/Santa Filomena) foi entregue
oficialmente em 09 de dezembro de 2016, a pouco menos de dois anos, portanto,
dentro do prazo de cinco anos, em que o construtor responde pela solidez e segurança
da obra pelo prazo de 60 meses, nos termos do artigo 618 do Código Civil.
O tal prazo de garantia quinquenal equivale dizer que os defeitos que vierem a
surgir na rodovia durante esse prazo de cinco anos devem ser reparados pela
Construtora, que deve ser acionada no prazo prescricional
legal.
Imagem: José Bonifácio/GP1O plantio de arroz de sequeiro no cerrado do Piauí começou na Faz. Baixa Serena, a 40 quilômetros de Santa Filomena
A cultura do arroz de sequeiro, pouco exigente em insumos e tolerante a
solos ácidos, teve um destacado papel como cultura pioneira durante o
processo de ocupação agrícola do Cerrado, iniciado na década de 60. No
Piauí, começou pelo município de Santa Filomena, no ano de 1978, quando
os pioneiros Antonio Luis Avelino Filho e Esdras Avelino Filho
realizaram, na Fazenda Baixa Serena, distante 40 quilômetros da cidade, o
primeiro plantio mecanizado.
Esse processo de abertura de área teve seu pico no período 75-85, em que
a cultura chegou a ocupar área superior a 4,5 milhões de hectares. O
sistema de exploração caracterizava-se pelo baixo custo de produção,
devido à pouca adoção das práticas recomendadas, incluindo plantios
tardios. Entretanto, a significativa ocorrência de veranicos fazia com
que a cultura apresentasse uma produtividade média muito baixa, ao redor
de 1.350 kg/ha, sendo assim considerada como de alto risco e gerando
centenas de casos de Proagro (Seguro Agrícola).
Imagem: José Bonifácio/GP1Mais de 30 anos depois, o plantio do arroz de terras altas representa só 3% da área dos cerrados na safra 2013/2014
Apesar desse panorama pouco promissor, que culminou com a falência da
maioria dos agricultores - são poucos os que conseguiram se manter na
atividade -, naquele período a pesquisa já oferecia um leque de
alternativas para a minimização da adversidade climática, incluindo
cultivares tolerantes à seca, classificação do grau de risco em todos os
municípios produtores, adequação da época de semeadura e do ciclo das
cultivares, preparo de solo e manejo de fertilizantes, visando
aprofundamento radicular e aumento da reserva útil de água no solo, além
de técnicas do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.
Com a progressiva redução das áreas de abertura, em meados da década de
80, a área cultivada com arroz sob o sistema de cultivo de sequeiro, foi
sendo gradativamente reduzida, ao mesmo tempo em que a fronteira
agrícola se moveu no sentido sudeste-noroeste do Brasil.
Imagem: José Bonifácio/GP1
Mas os produtores que insistem com o cultivo de arroz de sequeiro nas serras do Piauí conseguem boa produtividade
A conseqüência desse movimento foi a redução do risco climático, o que
tornou mais propícia a aplicação das tecnologias recomendadas pela
pesquisa. Para novas e promissoras áreas, a criação de cultivares de
tipo de planta moderno (estatura e perfilhamento intermediários, com
folhas eretas), de maior potencial produtivo e grão do tipo "agulhinha",
além do crescimento do nível de insumos aplicados, motivado pela melhor
relação custo/benefício, trouxe um substancial aumento da aceitação do
produto pela indústria/consumidores.
Apenas 3% da área plantada nos Cerrados – Atualmente,
nos cerrados do Piauí, a área plantada com a cultura do arroz de
sequeiro é pouco significativa. Em toda a região de Santa Filomena, por
exemplo, temos menos de 4 mil hectares cultivados com o “arroz de terras
altas” na safra 2013/2014, ante os 115 mil hectares de soja e cerca de
15 mil hectares com milho.
Imagem: José Bonifácio/GP1JOAO LUSTOSA: "Pelo aspecto atual da lavoura, acredito que vai dar para colher em torno de 65 sacas por hectare"
Um dos poucos remanescentes, que ainda insistem em plantar arroz de
sequeiro no cerrado piauiense, é o senhor João Lustosa Avelino,
ex-presidente da Câmara e ex-prefeito de Santa Filomena, que plantou 40
hectares da variedade Cambará, na Fazenda Folha Larga, e pretende colher
2.500 sacas, com produtividade média acima de 60 sacas/hectare.
“Pelo aspecto atual da lavoura, já soltando o cacho, e com as condições
climáticas normais, acredito que vai dar para colher em torno de 65
sacas por hectare”, diz Lustosa.