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sexta-feira, 27 de julho de 2018

BR-235/PI: Falta de manutenção na pista já oferece sérios riscos aos motoristas


GROTA DO MARIMBONDO: Mais uma vez a pista está afundando sobre o bueiro e aumentando o risco
Motoristas que trafegam pela rodovia BR-235/PI (estrada Gilbués/Santa Filomena), principalmente nos últimos 50 quilômetros, no sentido Santa Filomena, estão expostos a riscos por causa de buracos no acostamento e afundamentos nas pistas de rolamento, além de uma depressão na Grota do Marimbondo, entre a ladeira da Cambaúba e o Povoado Matas.

Erosão na Ladeira do Saquinho, descida para o Povoado Matas, já destruiu o acostamento e ameaça a pista
Na ladeira do Saquinho, descida para o Povoado Matas, parte do acostamento cedeu devido a uma erosão no solo, durante o período chuvoso, e o buraco está quase invadindo a pista. Situação bem parecida acontece na curva da Fazenda Certeza, a 18 km da zona urbana de Santa Filomena. O problema vem se arrastando há meses, desde as chuvas intensas do início do ano, mas até o momento, nenhuma providência está sendo tomada.

Outra erosão no acostamento, depois da curva da Fazenda Certeza, pode representar riscos aos motoristas
Outro grande perigo aos condutores de veículos são as irregularidades nas pistas de rolamento, em diversos trechos, do Povoado Matas à Ponta da Serra, onde o asfalto cedeu, formando trilhos (bitolas). O maior risco ocorre em dias chuvosos, pois a água pode fazer o veículo “aguaplanar”.

Afundamentos e fissuras na pista, da ladeira do Saquinho até a Ponta da Serra, são outros 'fatores de risco'
DEPRESSÃO NA PISTA - Mas o que vem aborrecendo mesmo os motoristas que transitam pela estrada Gilbués/Santa Filomena é o rebaixamento da pista no bueiro da Grota do Marimbondo. A depressão tem cerca de 30 centímetros de profundidadade e, se passar a mais de 120 km por hora, pode desequilibrar o veículo e capotar, como o acidente de dias atrás com uma caminhonete Hilux, que tombou no local e causou a morte instantânea de um senhor. Para aumentar o risco, caminhões e outros veículos que transitam no sentido Gilbués precisam invadir a faixa contrária para passar, inclusive pelo acostamento, tentando fugir do “pulo”, num zique-zague maluco.

Depressão no bueiro da Grota do Marimbondo, com cerca de 30 cm de profundidade, perto do Povoado ...
Como se não bastasse o precipício, chama atenção a falta de sinalização. Não existe placa alertando sobre o perigo e pedindo a redução da velocidade. Até uns cones velhos que lá colocaram não se encontram mais.

DEVER DE MANUTENÇÃO - Está na jurisprudência pátria o entendimento de que é objetiva a responsabilidade da União, nos casos de acidente em BR's ocasionado pela má conservação da via. Essa compreensão decorre do dever legal que tem a Nação, de prover a segurança do tráfego nas rodovias federais, por meio de ações de manutenção e conservação.

... Matas, pode ter sido uma das causas desse terrível acidente ocorrido há alguns dias, com vítima fatal
GARANTIA QUINQUENAL - Nunca é demais lembrar que a BR-235/PI (Gilbués/Santa Filomena) foi entregue oficialmente em 09 de dezembro de 2016, a pouco menos de dois anos, portanto, dentro do prazo de cinco anos, em que o construtor responde pela solidez e segurança da obra pelo prazo de 60 meses, nos termos do artigo 618 do Código Civil. O tal prazo de garantia quinquenal equivale dizer que os defeitos que vierem a surgir na rodovia durante esse prazo de cinco anos devem ser reparados pela Construtora, que deve ser acionada no prazo prescricional legal.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Mesmo com o avanço da soja e do milho, ainda se planta arroz no Cerrado

Imagem: José Bonifácio/GP11(Imagem:José Bonifácio/GP1)O plantio de arroz de sequeiro no cerrado do Piauí começou na Faz. Baixa Serena, a 40 quilômetros de Santa Filomena

A cultura do arroz de sequeiro, pouco exigente em insumos e tolerante a solos ácidos, teve um destacado papel como cultura pioneira durante o processo de ocupação agrícola do Cerrado, iniciado na década de 60. No Piauí, começou pelo município de Santa Filomena, no ano de 1978, quando os pioneiros Antonio Luis Avelino Filho e Esdras Avelino Filho realizaram, na Fazenda Baixa Serena, distante 40 quilômetros da cidade, o primeiro plantio mecanizado.

Esse processo de abertura de área teve seu pico no período 75-85, em que a cultura chegou a ocupar área superior a 4,5 milhões de hectares. O sistema de exploração caracterizava-se pelo baixo custo de produção, devido à pouca adoção das práticas recomendadas, incluindo plantios tardios. Entretanto, a significativa ocorrência de veranicos fazia com que a cultura apresentasse uma produtividade média muito baixa, ao redor de 1.350 kg/ha, sendo assim considerada como de alto risco e gerando centenas de casos de Proagro (Seguro Agrícola).


Imagem: José Bonifácio/GP12(Imagem:José Bonifácio/GP1)Mais de 30 anos depois, o plantio do arroz de terras altas representa só 3% da área dos cerrados na safra 2013/2014

Apesar desse panorama pouco promissor, que culminou com a falência da maioria dos agricultores - são poucos os que conseguiram se manter na atividade -, naquele período a pesquisa já oferecia um leque de alternativas para a minimização da adversidade climática, incluindo cultivares tolerantes à seca, classificação do grau de risco em todos os municípios produtores, adequação da época de semeadura e do ciclo das cultivares, preparo de solo e manejo de fertilizantes, visando aprofundamento radicular e aumento da reserva útil de água no solo, além de técnicas do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.

Com a progressiva redução das áreas de abertura, em meados da década de 80, a área cultivada com arroz sob o sistema de cultivo de sequeiro, foi sendo gradativamente reduzida, ao mesmo tempo em que a fronteira agrícola se moveu no sentido sudeste-noroeste do Brasil.


Imagem: José Bonifácio/GP13(Imagem:José Bonifácio/GP1)
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5(Imagem:1)Mas os produtores que insistem com o cultivo de arroz de sequeiro nas serras do Piauí conseguem boa produtividade

A conseqüência desse movimento foi a redução do risco climático, o que tornou mais propícia a aplicação das tecnologias recomendadas pela pesquisa. Para novas e promissoras áreas, a criação de cultivares de tipo de planta moderno (estatura e perfilhamento intermediários, com folhas eretas), de maior potencial produtivo e grão do tipo "agulhinha", além do crescimento do nível de insumos aplicados, motivado pela melhor relação custo/benefício, trouxe um substancial aumento da aceitação do produto pela indústria/consumidores.

Apenas 3% da área plantada nos Cerrados – Atualmente, nos cerrados do Piauí, a área plantada com a cultura do arroz de sequeiro é pouco significativa. Em toda a região de Santa Filomena, por exemplo, temos menos de 4 mil hectares cultivados com o “arroz de terras altas” na safra 2013/2014, ante os 115 mil hectares de soja e cerca de 15 mil hectares com milho.


Imagem: José Bonifácio/GP1João Lustosa:(Imagem:José Bonifácio/GP1)JOAO LUSTOSA: "Pelo aspecto atual da lavoura, acredito que vai dar para colher em torno de 65 sacas por hectare"
 
Um dos poucos remanescentes, que ainda insistem em plantar arroz de sequeiro no cerrado piauiense, é o senhor João Lustosa Avelino, ex-presidente da Câmara e ex-prefeito de Santa Filomena, que plantou 40 hectares da variedade Cambará, na Fazenda Folha Larga, e pretende colher 2.500 sacas, com produtividade média acima de 60 sacas/hectare.

“Pelo aspecto atual da lavoura, já soltando o cacho, e com as condições climáticas normais, acredito que vai dar para colher em torno de 65 sacas por hectare”, diz Lustosa.