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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Emoção marcou o enterro de Zé Paraíba, ex-prefeito de Alto Parnaíba (MA)

Imagem: José Bonifácio/GP11(Imagem:José Bonifácio/GP1)Alto-parnaibanos, parentes e amigos se despedem de Zé Paraíba, que chegou em Alto Parnaíba no início dos anos 60

A cidade de Alto Parnaíba, no extremo-sul do Maranhão, se despediu de um dos seus filhos adotivos mais ilustres: o ex-prefeito José de Freitas Neto, o popular “Zé Paraíba”.

O prefeito de Alto Parnaíba, Itamar Nunes Vieira, ex-vice-prefeito no primeiro mandato de Zé Paraíba, decretou luto oficial por 3 (três) dias em todo o território municipal.

O sepultamento, ocorrido na manhã desta quinta-feira, 1º de maio de 2014, reuniu amigos, correligionários, familiares e dezenas de pessoas que foram homenagear o líder político.

De sua residência, no Bairro São José, o corpo foi conduzido para a Câmara Municipal, onde os poderes Legislativo e Executivo prestaram a última homenagem a José de Freitas Neto.


Imagem: José Bonifácio/GP12(Imagem:José Bonifácio/GP1)
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7(Imagem:1)Da Câmara Municipal, o corpo de Zé Paraíba passou pela Igreja Matriz de N. S. das Vitórias, e foi direto para o Cemitério

Além do prefeito Itamar Nunes Vieira e dos vereadores de Alto Parnaíba, também estiveram se despedindo do velho amigo José de Freitas Neto (Zé Paraíba): o atual prefeito Antonio Carlos Rodrigues Vieira e o ex-prefeito Neto Coelho, de Tasso Fragoso (MA); e os ex-prefeitos José Alvino de Araújo Sousa, de Lizarda (TO), e Quirino Lustosa Avelino, de Santa Filomena (PI), dentre outras personalidades políticas, comerciantes, populares e lideranças comunitárias.

Após a cerimônia, presidida pela presidente da Câmara Municipal de Alto Parnaíba, vereadora Maria do Socorro Rodrigues Vieira, o corpo do ex-prefeito Zé Paraíba seguiu para a Matriz de Nossa Senhora das Vitórias, para celebração da missa de corpo presente.

O corpo do ex-prefeito Zé Paraíba deixou a Igreja Matriz, por volta das 9h20 e se encaminhou para o cemitério público de Alto Parnaíba, na caminhonete de uma funerária local.


Imagem: Carlos Biah2(Imagem:Carlos Biah)Natural de Sousa (PB), José de Freitas Neto (Zé Paraíba) foi chofer de caminhão, agricultor e prefeito de Alto Parnaíba

Histórico
: “Zé Chofé”, como era conhecido desde que chegou à cidade de Alto Parnaíba, no extremo-sul do Maranhão, ao final da década de 1960, foi motorista de caminhão e recebeu apoio nas terras maranhenses dos ex-prefeitos Corintho Rocha e José Soares.

Mas tarde popularizado com o cognome “Zé Paraíba”, ajudou na criação dos bairros São José, Santo Antonio e Santa Cruz, em Alto Parnaíba, onde conseguiu grande amizade.

No inicio da década de 1980, Zé Paraíba foi agricultor no cerrado alto-parnaibano e boa parte da sua produção, na época de arroz, era distribuída para as famílias carentes da cidade de Alto Parnaíba, o que lhe rendeu o titulo de “Pai da Pobreza”. Naqueles anos, a população da passava por uma transição e o município sofria o fenômeno do êxodo rural; o trabalho era escasso e a base de alimentação de muita gente eram as mangas colhidas na “Pontinha”.


Imagem: José Bonifácio/GP11(Imagem:José Bonifácio/GP1)
2(Imagem:1)Na Câmara, a presidente Maria do Socorro Vieira e o prefeito Itamar Nunes Vieira se despediram do amigo Zé Paraíba

Anos depois Zé Paraíba entra na política, se elegendo prefeito em 1989, tendo como vice o atual prefeito Itamar Vieira, contando com o apoio de quase todas as forças políticas de Alto Parnaíba, de sertanejos de todas as regiões do município, de lideranças comunitárias, de setores ligados à Igreja Católica, de vários ex-prefeitos, como Renan Soares, Corintho Rocha, Raimundo Almeida e Gonzaga Lopes, que faziam parte de seu palanque, ajudando a derrotar seu opositor José Ribamar Nogueira, agricultor e vice-prefeito do então prefeito Antonio Rocha Filho, de quem recebera apoio. A eleição foi fácil, obtendo uma vantagem expressiva de votos.

Findando seu mandato e, como na época não havia reeleição, Zé Paraíba resolve apoiar a candidatura do agricultor mato-grossense Adalto Gomes da Silva, que venceu a médica Raimunda de Barros Costa, o dentista Ernani Soares e a líder comunitária Maria Filomena.

Depois da gestão de Adalto Gomes da Silva, Zé Paraíba se elege novamente prefeito de Alto Parnaíba, para seu segundo e último mandato, tendo como vice o dentista Ernani Soares.

Posteriormente, Zé Paraíba foi derrotado por duas vezes em eleições majoritárias.

domingo, 19 de maio de 2013

Alto Parnaíba, no extremo-sul do MA, comemora hoje 147 anos de fundação


Imagem: Reproduçãoo(Imagem:Reprodução)Alto Parnaíba, a cidade mais ao sul do Maranhão, fundada por Cândido Lustosa, comemora hoje 147 anos de fundação


Situada na margem esquerda do Rio Parnaíba, onde primitivamente habitaram os índios "Tapuias", a atual cidade de Alto Parnaíba, no extremo-sul do Maranhão, teve na pessoa de Francisco Luís de Freitas, seu primeiro povoador quando, em busca de uma área adequada ao cultivo agrícola, ali se instalou, dando-lhe o nome de Fazenda Barcelona.

Posteriormente, Cândido Lustosa abandonou o Piauí e fixou-se nas proximidades da Fazenda Barcelona, vindo a se constituir, também, em pioneiro do desbravamento na área, participando na construção da primeira Igreja e de muitas outras atividades, em benefício do lugar. Tempos depois, os povoadores mudaram o nome do lugar para Vila de Nossa Senhora da Vitória.


Cândido Lustosa, fundador da cidade de Alto Parnaíba
A 19 de maio de 1866, Francisco Luís de Freitas e sua mulher Micaela Abreu doaram as terras de sua Fazenda Barcelona à Igreja local. A partir desse momento, a povoação foi se desenvolvendo, até ser criado o município, com o gentílico Alto-parnaibano.

Formação administrativa - Distrito criado com a denominação de Vitória do Alto Parnaíba, pela lei provincial nº 974, de 08-06-1871, subordinado ao município de Loreto. Até aí, quando passou à condição de distrito administrativo de Loreto, Maranhão, Alto Parnaíba pertencia ao município piauiense de Paranaguá (PI), do qual foi desmembrado.

Quase dez anos depois, foi elevado à categoria de Vila, com a denominação de Vitória do Alto Parnaíba, pela lei provincial nº 1227, de 09-04-1881, desmembrado de Loreto. A Vila começou na beira do rio Parnaíba, em frente à atual cidade de Santa Filomena (PI), e logo depois foi se expandindo. Posteriormente, a povoação ganhou uma Praça e a Igreja Matriz.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído do distrito sede, de acordo com as divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII1937. Pelo decreto-lei estadual nº 820, de 30-12-1943, o município de Vitória do Alto Parnaíba passou a denominar-se Alto Parnaíba. No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município já denominado Alto Parnaíba é constituído do distrito sede. Pela lei estadual nº 269, de 31-12-1948, são criados os distritos de Brejo da Porta e Curupá. Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o município é constituído de 3 distritos: Alto Parnaíba, Curupá e Brejo da Porta, assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960.


Imagem: José Bonifácio/GP1Igreja(Imagem:José Bonifácio/GP1)Praça Cel. Antonio Luiz e Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, local onde começou a Vila de Vitória do Alto Parnaíba

Pela lei estadual nº 2168, de 19-12-1961, desmembra do município de Alto Parnaíba o distrito de Brejo da Porta, elevado à categoria de município com a denominação de Tasso Fragoso. Assim, em divisão territorial datada de 31-XII-1963, o município passou a ser constituído de 2 distritos: Alto Parnaíba e Curupá, conforme a divisão territorial datada de 2005.

Alteração toponímica municipal - Vitória do Alto Parnaíba para Alto Parnaíba foi alterado pelo decreto estadual nº 820, de 30 de dezembro de 1943.

A bandeira oficial do município de Alto Parnaíba foi criada através de concurso, que envolveu todos os alunos das redes de ensino municipais e privadas do município. Venceu a criada pelo aluno da 8ª série do CECAP (Centro Educacional Cenecista de Alto Parnaíba), Dhiancarlos Teixeira Pacheco, então com 16 anos de idade, em 19 de maio de 1993.

Imagem: ReproduçãoBandeira Oficial de Alto Parnaíba,(Imagem:Reprodução)Bandeira Oficial de Alto Parnaíba, criada através de concurso, vencido por Dhiancarlos Pacheco, a 19 de maio de 1993

Lista de prefeitos de Alto Parnaíba, desde a sua fundação, em 1866:

1866 a 1871 Candido Lustosa (fundador)
1871 a 1893 Antonio Luiz do Amaral Britto
1893 a 1912 Samuel Lustosa do Amaral Britto
1912 a 1917 Adolpho Lustosa do Amaral Britto
1917 a 1924 João Pereira Lopes
1924 a 1925 Dr. Miguel de Lima Verde
1926 a 1927 Odonel de Araujo Britto
1928 a 1931 Adolpho Lustosa do Amaral Britto
1932 a 1933 Manoel Martins Moreira
1933 a 1934 Adolpho Lustosa do Amaral Britto
10/06/1934 a 4/8/1935 Josué de Moura Santos
5/8/1935 a 14/12/1936 José Soares
15/12/1936 a 15/5/1947 Raimundo Lourival Lopes
16/5/1947 a 15/2/1948 Palmeron do Amaral Brito
16/2/1948 a 1950 José Soares
1951 a 1953 João Borges Leitão
1954 a 1955 Elias de Araujo Rocha
1956 a 1961 José Soares
1962 a 1965 Raimundo Alves de Almeida
1966 a 1970 Antônio Rocha Filho
1971 a 1972 Luiz Gonzaga da Cruz Lopes
1973 a 1976 Corintho de Araujo Rocha
1977 a 1982 Renan Soares
1983 a 1988 Antônio Rocha Filho
1989 a 1992 José de Freitas Neto
1993 a 1996 Adalto Gomes da Silva
1997 a 2000 José de Freitas Neto
2001 a 2004 Raimunda de Barros Costa
2005 a 2008 Raniere Avelino Soares
2009 a 2012 Ernani do Amaral Soares
2013 a 2016 Itamar Nunes Vieira

Imagem: Dhiancarlos PachecoPrefeito Itamar(Imagem:Dhiancarlos Pacheco)Prefeito Itamar Nunes Viera (PSB) e vice-prefeito Raimundo Nonato de França Almeida (PT), eleitos em outubro de 2012

PERFIL MUNICIPAL DE ALTO PARNAÍBA - MA:

Data de instalação: Ano de 1881
População - Censo 2010: 10.765 habitantes
Estimativa da População - 2012: 10.856 habitantes
Crescimento anual da população - 2000-2010: 0,57%
Natalidade 2010: 197 nascidos vivos
Urbanização 2010: 65,29%
IDH - 2000: 0,636
Índice de Gini - 2010: 78,87
Área: 11.132 km2 
Densidade Demográfica - 2010: 0,97 hab./km2

Imagem: José Bonifácio/GP1Antiga Vila de Vitória do Alto Parnaíba, atual cidade de Alto Parnaíba, vista da(Imagem:José Bonifácio/GP1)Antiga Vila de Vitória do Alto Parnaíba, atual Alto Parnaíba, vista da vizinha cidade de Santa Filomena, Estado do Piauí

Quase metade abaixo da linha da pobreza
- No município, de 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 140,00 reduziu em 33,2%; para alcançar a meta de redução de 50%, deve ter, em 2015, no máximo 33,5%. Para estimar a proporção de pessoas que estão abaixo da linha da pobreza foi somada a renda de todas as pessoas do domicílio, e o total dividido pelo número de moradores, sendo considerado abaixo da linha da pobreza os que possuem renda per capita até R$ 140,00 (Cento e Quarenta Reais). No caso da indigência, este valor será inferior a R$ 70,00 (Setenta Reais).

Imagem: ReproduçãoDe(Imagem:Reprodução)Em 2010, de acordo com o IBGE/IPEA, quase metade da população alto-parnaibana vivia abaixo da linha da pobreza

Renda concentrada
- A participação dos 20% mais pobres da população na renda passou de 3,2%, em 1991, para 0,0%, em 2000, aumentando ainda mais os níveis de desigualdade. Em 2000, a participação dos 20% mais ricos era de 70,9%.

Jovens alfabetizados - No município, em 2010, 13,1% das crianças de 7 a 14 anos não estavam cursando o ensino fundamental. A taxa de conclusão, entre jovens de 15 a 17 anos, era de 41,8%. Caso queiramos que em futuro próximo não haja mais analfabetos, é preciso garantir que todos os jovens cursem o ensino fundamental. O percentual de alfabetização de jovens e adolescentes entre 15 e 24 anos, em 2010, era de 94,8%.

Imagem: ReproduçãoVista aérea da cidade de Alto Parnaíba, tendo ao fundo o Bairro São José e o campo de futebol Serra Dourada(Imagem:Reprodução)Vista aérea da cidade de Alto Parnaíba(MA), tendo-se ao fundo o Bairro São José e o campo de futebol Serra Dourada

A distorção idade-série eleva-se à medida que se avança nos níveis de ensino. Entre alunos do ensino fundamental, estão com idade superior à recomendada nos anos iniciais (33,0%) e nos anos finais (46,9%) chegando a 55,5% de defasagem nos que alcançam o ensino médio.

No IDEB, o município de Alto Parnaíba está na 4.492.ª posição, entre os 5.565 do Brasil, quando avaliados os alunos da 4.ª série , e na 4.847.ª, no caso dos alunos da 8.ª série.

Mercado de trabalho - Com relação à inserção no mercado de trabalho, havia menor representação das mulheres. A participação da mulher no mercado de trabalho formal era de 44,0% em 2011. O percentual do rendimento feminino em relação ao masculino era de 54,1% em 2011, independentemente da escolaridade. Entre os de nível superior, 38,6 por cento.

Mortalidade infantil - O número de óbitos de crianças menores de um ano no município, de 1995 a 2010, foi 36. A taxa de mortalidade de menores de um ano para o município, estimada a partir dos dados do Censo 2010, é de 33,8 a cada 1.000 crianças menores de um ano. Das crianças de até 1 ano de idade, em 2010, 15,9% não tinham registro de nascimento em cartório. Este percentual cai para 2,9% entre as crianças até 10 anos.

Imagem: Smith RosaSede da(Imagem:José Bonifácio/GP1)Câmara Municipal, sede do Poder Legislativo de Alto Parnaíba, onde os 09 vereadores representam 10.765 habitantes

AIDS e outras doenças
- Alto Parnaíba registrou, de 1996 a 2012, 5 (cinco) casos de AIDS diagnosticados. Com relação às doenças transmitidas por insetos, chamados vetores, como espécies que transmitem malária, febre amarela, leishmaniose, dengue, dentre outras doenças, entre 2001 e 2009, houve 168 casos de doenças transmitidas por mosquitos, dentre os quais nenhum caso confirmado de malária, nenhum caso confirmado de febre amarela, 30 casos confirmados de leishmaniose, 138 notificações de dengue.

Meio ambiente - O município declara ter apresentado ocorrências impactantes observadas com freqüência no meio ambiente nos últimos 24 meses, mas sem alteração ambiental que tenha afetado as condições de vida da população. Alto Parnaíba não possui Conselho Municipal de Meio Ambiente e nem possui Fundo Municipal de Meio Ambiente.
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Mesmo assim, a municipalidade contou com recursos específicos para a área ambiental nos últimos 12 meses, e vem realizando licenciamento ambiental de impacto local.

Saneamento básico - Em 2010, 51,1% dos moradores da zona urbana de Alto Parnaíba tinham acesso à rede de água geral, com canalização em pelo menos um cômodo, e 2,5% possuíam formas de esgotamento sanitário consideradas adequadas.

Imagem: Dhiancarlos PachecoPraça Cel. Adolpho Lustosa, zona central de Alto Parnaíba, (Imagem:Dhiancarlos Pacheco)Praça Cel. Adolpho Lustosa, no centro de Alto Parnaíba, tradicional ponto de encontro da comunidade alto-parnaibana

Urbanização - Como instrumento de planejamento territorial, o município não dispõe de Plano Diretor. Porém declarou, em 2008, não existirem loteamentos irregulares e também favelas, mocambos, palafitas ou assemelhados. Também não há processo de regularização fundiária, assim como não existe legislação municipal específica que dispõe sobre regularização fundiária e sem plano ou programa específico de regularização fundiária.

Não existem moradores urbanos vivendo em aglomerados subnormais (favelas e similares). Em 2010, 68,3% dos moradores urbanos contavam com o serviço de coleta de resíduos e 93,0% tinham energia elétrica distribuída pela CEMAR (Companhia Energética do Maranhão).

Em síntese, Alto Parnaíba é, apesar da concentração de renda, um dos municípios que mais se desenvolvem no Maranhão, rompendo as barreiras do tempo, crescendo e trilhando uma bela história, que é fundamentalmente importante para toda a microrregião do Alto Parnaíba.

Parabéns ao povo de Alto Parnaíba pelo 147º aniversário de fundação da cidade, motivo de júbilo para todo o sul maranhense. Queremos manifestar o nosso mais sincero desejo de que Alto Parnaíba consiga seguir o caminho do desenvolvimento. Mas um desenvolvimento que beneficie não apenas a região, mas, sobretudo, o seu povo, assim como é a vontade de todos os que consideram a felicidade popular como o mais forte objetivo a ser perseguido.

Fonte: IBGE, MEC, Portal ODM e outras

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O debate sobre a divisão territorial do Piauí: "É crime querer o justo?"

Por que a elite conservadora do norte não quer a divisão territorial do Piauí?
A barragem de Boa Esperança não seria construída, se dependesse exclusivamente da opinião dos tecnocratas, que juravam de pés juntos que o Piauí e o Maranhão jamais absorveriam a energia por ela produzida. E, no entanto, hoje penamos pela falta de energia, tanto que, por esse motivo, não são poucos os empreendedores que desdenham do Piauí para seus investimentos. Pior é que esse mesmo tipo de gente vem emperrando a construção de novas barragens no rio Parnaíba, enquanto no Estado do Tocantins já foram construídas três, nos últimos vinte anos. E outras estão a caminho.

É fácil tecer loas à explosiva produção agrícola dos cerrados piauienses, motivo de orgulho de todos nós, mas omitem que ela é obra exclusiva de anônimos e heroicos produtores. Estes produzem, e engordam nossa pauta de exportações, apesar da falta de apoio dos governos. E poderiam produzir muito mais, se houvesse a infraestrutura necessária, como energia e estradas. É revoltante constatar como esses produtores se sacrificam para manter sofisticadas instalações à base do oneroso diesel. E mais: para não perderem a produção, como se vêem forçados a construir e conservar as estradas que o governo não fez nem conserva. Pois certos governantes (nisto é justo excluir o governador Wilson Martins, que jurou pôr fim às estradas-sonrisal) preferem realizar a política da empulhação: besuntar de asfalto pequenos trechos, embalar a autoestima dos incautos e ganhar o voto dos grotões. Para os truques da propaganda enganosa, quase tudo! Para as obras estruturantes, voltadas para a produção, quase nada! E assim marcha o Piauí, ao longo dos séculos, exibindo os piores índices sociais.

Em tal ritmo, muitos não estão nem aí, por exemplo, para a sorte de milhares de estudantes, os quais, depois de alisarem bancos escolares por anos a fio, não sabem o que fazer com os diplomas que conquistaram com tanto sacrifício para si e suas famílias. E por uma razão tão humilhante quanto constrangedora: as vagas que poderiam ocupar, pelo mérito do concurso público, são entupidas por apaniguados, via pistolão. Muitos também não se abalam ante a necessidade de uma política verdadeira de redução da pobreza e das desigualdades regionais, que deve estribar-se na justa aplicação e distribuição dos recursos públicos. Isto é, em aplicar mais nas regiões mais pobres, de modo a reduzir o abismo entre pobres e ricos. Ao contrário, preferem manter o círculo vicioso da pobreza, dando mais a quem já tem, e enganando os outros com meras esmolas. Por isso, acham natural que o País gaste R$ 50 bilhões na construção da linha de trem-bala entre Rio e São Paulo, ao mesmo tempo em que nega meio por cento desse valor ao metrô de Teresina. Igualmente, preferem distribuir o Bolsa Família (entre R$ 32 e R$ 242 mensais) a milhões de carentes, a promover uma equitativa distribuição dos recursos arrecadados pela União, de modo a abrir oportunidades de trabalho e renda que dignifiquem a cidadania. E não são poucos os travestidos de progressistas que ainda têm a desfaçatez de afirmar que esse é o caminho seguro para o desenvolvimento do Piauí. Por isso, renegando o mandato popular, nada reivindicam ao governo federal, nada trazem de Brasília para o Piauí, esmerando-se em praticar o puxa-saquismo improdutivo.

Pois bem. Tais considerações vêm a propósito da postura de algumas figuras do Piauí face ao movimento pela criação do Estado do Gurgueia. Para combaterem, por sinal com uma odiosidade extremada e injustificável (ameaçam até pegar em armas!), esse projeto redentor concebido por piauienses e voltado para a busca cidadã de uma saída definitiva para a pobreza do Piauí, eles não procuraram aprofundar o estudo do assunto, pois não se esforçaram por pesquisar as causas de nosso processo de empobrecimento; não analisaram nossos humilhantes indicadores econômicos e sociais; as implicações decorrentes da possível criação de outros Estados; os exemplos bem-sucedidos de redivisão territorial nem os ganhos que a redistribuição do bolo tributário nacional traria para as finanças da área territorial que compreende o Piauí, como seria de esperar-se de tantas cabeças doutorais, vaidosas, pedantes, emplumadas. Não! Festivos e preguiçosos como sempre, e preocupados apenas em conservar o poder no qual se refestelam à tripa forra com suas ONGs milionárias (hoje, alvos preferenciais da Polícia por desvios de recursos públicos), recorrem, em busca de opiniões contra o Gurgueia, a determinados tipos de tecnocratas e empresários, sobretudo gente que nada entende do Piauí, não gosta dos piauienses, não conhece nossos problemas nem compreende nossos anseios. Gente que, se tivesse que decidir sobre a viabilidade do Piauí como Estado, por certo o julgaria inteiramente inviável, e até recomendaria sua extinção.

Já não tiraram o Piauí do mapa do Brasil? Já não afirmaram que, se o Piauí fosse extinto, o Brasil nem notaria? Com todo respeito: que esperar, portanto, de gente que, sem ideias próprias, apenas se limita a repetir o que os outros pensam e dizem? Estes, pelo menos, estão a defender seus interesses: não querem que o Nordeste tenha peso econômico e político, permanecendo apenas como fornecedor de mão de obra escrava para suas cozinhas, lavouras e indústrias. E eles? Apenas o tacanho hábito de se conservarem acomodados e pobres, inclusive de espírito.

Um dos argumentos que eles teimam em apresentar diz respeito ao suposto custeio de um novo Estado com novos tribunais, assembleias etc., que estimam em R$ 832 milhões anuais. Ora, bolas, o governo federal, através do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, adquiriu recentemente, por quase R$ 10 bilhões, dois bancos em dificuldades, sediados em São Paulo. Um deles – o Votorantim – pertencia ao grupo de Antônio Ermírio de Moraes, um dos líderes da campanha contra o Gurgueia e porta-voz dos conservadores piauienses. Se aquele for o custo (R$ 832 milhões), que se crie logo o Gurgueia! Não é nada, não é nada, mas o dinheiro jogado no saco sem fundos daqueles bancos daria para mantê-lo por mais de dez anos, com a vantagem de incorporar ao processo de desenvolvimento nacional uma região de grandes potencialidades, infelizmente esquecida dos poderes públicos. E mais: se a conta que fizeram estiver correta, o Gurgueia seria o Estado mais viável do Brasil, pois seu funcionamento custaria menos de um terço do orçamento que teria logo no primeiro ano, estimado em R$ 3 bilhões. Assim, com tamanho superávit financeiro, terá amplas condições de implantar a infraestrutura de que carece para aproveitar adequadamente as riquezas naturais que ostenta, inaugurando nova era de prosperidade para todos – piauienses e gurgueianos.

Convém não esquecer, também, que mais Estados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste significa mais dinheiro circulando fora do Sul Maravilha, provocando a desconcentração da riqueza e do poder, interiorizando o desenvolvimento, gerando produção, emprego e renda, abrindo oportunidades para populações marginalizadas, estancando os humilhantes comboios de boias-frias em busca da miragem sulina e fortalecendo a cidadania. É crime querer o justo?

Artigo escrito pelo acadêmico Jesualdo Cavalcanti Barros, presidente do Centro de Estudos e Debates do Gurgueia, publicado na edição de ontem (17/11/2011) do jornal Diário do Povo.