A população de Tasso Fragoso, cidade posicionada no sul do Maranhão e à
margem esquerda do Rio Parnaíba, está revoltada com a baixa qualidade
dos serviços que vem sendo executados na implantação da 2ª etapa do
Sistema de Esgotamento Sanitário.
O valor do mencionado empreendimento do PAC (Plano de Aceleração do
Crescimento), objeto do contrato 0.56.00/2010, é de R$ 4.258.530,58
(Quatro Milhões, Duzentos e Cinquenta e Oito Mil, Quinhentos e Trinta
Reais e Cinquenta e Oito Centavos). Com prazo de duração estimado em 300
dias, o interminável projeto de Saneamento Básico da cidade de Tasso
Fragoso começou em junho de 2010 e deveria ter sido concluído em abril
de 2011.
Devido à situação, foi formada uma comissão com autoridades municipais e
representantes da sociedade civil, a fim de se fazer uma avaliação dos
trabalhos já realizada pela empresa OPSIS na cidade vizinha de Alto
Parnaíba, e constataram que por lá ninguém está satisfeito, visto que a obra não atende o mínimo dos anseios daquela comunidade.
Os moradores da progressista Tasso Fragoso estão cansados de tanto
descaso, onde o que se vê são lama, buracos, poeira, acidentes com
pessoas idosas e, como não poderia ser diferente, críticas por parte de
visitantes e/ou pessoas em trânsito. Na verdade, as ruas se
transformaram em atoleiros de automóveis, em lugares inacessíveis,
obrigando os habitantes a serem prisioneiras dentro das próprias
casas.
Reunidos no plenário da Câmara Municipal, representantes dos poderes
constituídos estiveram debatendo o assunto, numa calorosa discussão,
envolvendo o poder executivo, ali representado pelo prefeito, Antonio
Carlos Rodrigues Vieira, e pelos secretários municipais Melciades
Tavares e Ademar Paes, bem como o poder legislativo, que se manifestou
através do seu presidente, vereador José Dorierson Ribeiro.
Participaram ainda da audiência: Maria Reginalda da Silva Sales Vieira
(Primeira Dama), Francisco Antonio de Melo (CODEVASF), Éverton Luiz
Germiniani (engenheiro civil da OPSIS), Geraldo Abreu (Associação
Comercial) e Adailton Guimarães Fialho (Sociedade Civil).
“Não entendemos o porquê de tanto descaso, já que é uma obra que
envolve muito dinheiro; mas a empresa contratada está oferecendo um
serviço horroroso. Estamos indignados com tudo isso e exigimos mais
respeito, dignidade, transparência e que deixem a cidade pelo menos do
jeito que a encontraram”, reclama Lirô Guimarães.
Dentre os vários questionamentos, estão a baixa qualidade do
recapeamento asfáltico, que é ruim e muito mal acabado. O próprio
engenheiro da CODEVASF, Francisco Antonio de Melo, admitiu isso ao dizer
que a culpa era do asfalto frio (que não se solidifica pelo fato de
sua composição conter detergente, que acaba inibindo essa ação, apesar
de custar o dobro).
Indagado se tinha um laboratório onde seria feito o teste de qualidade,
ele explicou que o exame era realizado a cerca de 230 quilômetros da
cidade receptora do empreendimento. “Se quiserem um asfalto melhor, o
valor em dinheiro tem que ser revisto”, falou o servidor
do Governo Federal.
“E os bloquetes? Até já foram apelidados de sonrisal, não desmerecendo o
santo remédio, pois se desmancham com a chuva”, gritou um dos
populares presentes à reunião. Além disso, os bloquetes colocados estão
desnivelados e quebrados. “É uma vergonha se compararmos com aqueles
que foram feitos a cerca de 30 anos. Parece que não usam nem cimento,
ou então o cimento está vencido. Nós vamos aceitar isso”, observou Lirô
Guimarães.
Outra polêmica apontada por Aguinaldo Guimarães Fialho se relaciona às
caixas de esgoto e aos meio-fios, que parecem ser feitos somente com
areia, não existindo uma barra de ferro sequer. Por esse motivo, a
maioria já quebrou e terão que ser refeitos.
Em resumo, ficou combinado que as obras ficarão paradas até que uma
comissão anote todos os problemas relacionados à rede de saneamento
básico de Tasso Fragoso (MA) e reivindiquem junto à
superintendência da CODEVASF, em Teresina (PI). Além disso, a Prefeitura
Municipal só receberá a obra mediante a satisfação da comunidade.