Imagem: Museu do Cerrado
Grafismo rupestre indica vestígios de antigas civilizações em Tasso Fragoso, município localizado no sul do Maranhão
Em sua edição impressa de domingo passado, 06 de janeiro de 2013, o jornal
O ESTADO DO MARANHÃO
publicou ampla reportagem sobre o potencial para o desenvolvimento do
turismo cultural, sobretudo arqueológico, no município sul maranhense de
Tasso Fragoso.
No Maranhão, diz o texto, a maioria da população ainda desconhece a
riqueza arqueológica do estado no que consiste aos registros rupestres.
Isso tem uma explicação em função da ausência de instituições, falta de
atenção dos órgãos competentes em todas as esferas no investimento de
estudos e pesquisas sobre a história da sua população pré-colonial.
No território timbira, assim como em São Raimundo Nonato (PI) e em
outras regiões do Brasil, encontra-se um tipo de vestígio arqueológico
denominado grafismo rupestre, embora esse registro seja ignorado na
região pela ausência de pesquisas.
Tasso Fragoso, denominação dada em homenagem ao general e ex-Presidente
da República do Brasil, dispõe de uma riqueza em cavidades naturais e de
milhares de gravuras e pinturas rupestres encontradas nas paredes das
grutas, onde se encontram pegadas de animais, seguidas por humanas,
folhas de palmeiras e
objetos de caça.
Situado no sul do estado do Maranhão, distante quase 1.000 quilômetros
de São Luis, à margem do rio Parnaíba, a denominação Tasso Fragoso é em
homenagem ao general e ex-Presidente da República do Brasil,
o maranhense Augusto Tasso Fragoso.
Imagem: Museu do Cerrado
MORRO DO GARRAFÃO: Principal Cartão Postal de Tasso Fragoso (MA), um tesouro arqueológico a ser descoberto
Imagem: Divulgação
Ilustrou a capa e a página 03 por inteiro do jornal O ESTADO DO MARANHÃO, edição de domingo último, 06 de janeiro
Veja a reportagem
Tasso Fragoso ainda é um tesouro arqueológico a ser descoberto:
“O município de Tasso Fragoso, no extremo sul do Maranhão, se
constituiu em 10 anos em uma referência maranhense em sítios
arqueológicos e polo potencial para o desenvolvimento do turismo
cultural - especialmente o arqueológico - devido à relevância do
patrimônio.
O Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (Iphan) diz que no município de Tasso Fragoso está o maior número de
sítios arqueológicos do Maranhão.
As descobertas feitas até agora revelam a existência de vestígios como
gravuras rupestres no interior de grutas e paredões rochosos em serras
de arenito, o que reforça, segundo os pesquisadores, a presença de
populações pré-históricas.
Tasso Fragoso é o município mais novo a ser incorporado ao complexo do
Parque Nacional da Chapada das Mesas. Enquanto os demais do polo
exploram o meio ambiente (recursos naturais), Tasso Fragoso tem como
cartão de visita a arqueologia. Balsas é a cidade de referência mais
próxima. Está distante aproximadamente 140km. No município, existem dois
hotéis.
O fotógrafo, ambientalista e historiador Agnaldo Guimarães Fialho, que
prefere ser chamado de Lirô, pioneiro em pesquisas no lugar, disse que
em 2001, quando ele começou a pesquisa, passou a catalogar o que
encontrava, buscou apoio junto a algumas entidades públicas como:
Universidades, Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama), dentre outros.
Imagem: Museu do Cerrado
Agnaldo Guimarães Fialho (Lirô): fotógrafo, ambientalista, pesquisador e historiador, fundador do "Museu do Cerrado"
O pesquisador também procurou ajuda do poder público municipal, estadual
e Federal e não teve nenhum resultado, exceto palavras de incentivos.
Somente em 2008, com a visita de caravana da Secretaria de Estado do
Turismo, Sebrae e Iphan, finalmente foi feita uma visita técnica e o
trabalho se consolidou. “Depois disso, Luís Marques, do
Sebrae, intermediou a vinda de Arklei Marque Bandeira, a
responsabilidade e registrar todas as informações e documentar,
repassando depois para o Iphan”.
Peculiaridades - Os vários sítios arqueológicos
identificados até agora mostram uma estratégia peculiar: os abrigos
localizados próximos a cursos d’água e em encostas. Com isso, os
ocupantes tinham maior facilidade para obter alimentos e matéria-prima
para elaborar objetos e ferramentas do dia a dia, além de proteção e
abrigo contra os perigos naturais de grupos inimigos e da própria selva.
Lirô disse que já foram encontrados vários objetos líticos lascados como
machadinha, cerâmicas, várias pedras de cortes, raspadores e dois
moedores. Segundo ele, todo esse material está devidamente registrado e
sob a guarda do Museu do Cerrado, responsabilidade atribuída pela
superintendente do Iphan no Maranhão, Kátia Bogea.
“Quando falo em museu, na verdade é uma pequena sala de 5m por 5m cedida
pela Prefeitura de Tasso Fragoso, que está repleta de objetos
domésticos já em desuso”, diz o pesquisador e conservacionista Agnaldo Guimarães Fialho (Lirô Guimarães).
Imagem: José Bonifácio/GP1
O Museu do Cerrado, criado por Lirô Guimarães e sua esposa, Neide Cristina, visa mostrar o potencial histórico-cultural
A criação do Museu do Cerrado por Lirô e sua mulher, Neide Cristina
Guimarães Fialho, visa mostrar o potencial histórico-cultural do lugar,
mas o espaço não comporta mais as doações que chegam aos pesquisadores.
“Estamos construindo um espaço melhor, mais amplo, com recursos
próprios”, adiantou Lirô, que em seguida queixou-se da falta de
recursos: “A obra está parada por falta de recursos, mas o nosso lema é
lutar sempre e nunca desistir”.
Sítios - Ainda de acordo com Lirô, a relevância dos
achados, associados ao grande número de sítios, caracteriza a Região sul
do Maranhão como um importante complexo arqueológico.
Todo esse patrimônio, no ponto de vista do pesquisador, precisa ser
preservado dada a sua grande importância para a descoberta da identidade
dos primeiros povoadores do extremo sul maranhense, mas é possível
conciliar com o turismo.
“A preservação, a pesquisa e a divulgação do legado arqueológico
tassofragoense é de responsabilidade de todos e sua gestão deve ser
compartilhada pelo poder público e pela comunidade, a verdadeira guardiã
de seus bens culturais”, raciocinou o pesquisador, que não esconde o
orgulho com o qual vem desenvolvendo pesquisas desde 2001.
Há rastros de antigas civilizações
O Brasil, muito antes da chegada de Pedro Álvares Cabral, já era
habitado por grupos nômades, caçadores e pescadores que, segundo
pesquisas, eram da Austrália, da Oceania ou da Ásia. Escavações e
análises de objetos e desenhos nas pedras, ali deixados pelos
primitivos, além de pinturas e gravuras feitas por eles, são o
testemunho dessa passagem.
Consta na literatura que esses registros em diferentes suportes de pedra
são chamados de arte rupestre ou itacoatiaras, palavra tupi que quer
dizer pedra pintada: paredes e tetos de cavernas e abrigos, blocos no
chão, pedras nos leitos dos rios, e lajes a céu aberto.
As mais antigas pinturas rupestres brasileiras encontradas nas cavernas
estão no Parque Nacional Serra da Capivara na região de São R.
Nonato, no sudeste do Piauí.
Imagem: José Bonifácio/GP1
Centenas de objetos antigos e contemporâneos, característicos do Maranhão, estão expostos no "Museu do Cerrado"
No Maranhão, a maioria da população ainda desconhece a riqueza
arqueológica do estado no que consiste aos registros rupestres. Isso tem
uma explicação em função da ausência de instituições, falta de atenção
dos órgãos competentes em todas as esferas no investimento de estudos e
pesquisas sobre a história da população pré-colonial.
No estado, assim como em outras regiões do Brasil, encontra-se um tipo
de vestígio arqueológico denominado grafismo rupestre, embora esse
registro seja ignorado na região pela ausência de pesquisas. Tasso
Fragoso dispõe de uma riqueza em cavidades naturais e de milhares de
gravuras e pinturas rupestres encontradas nas paredes das grutas, onde
se encontram pegadas de animais e de humanos, folhas de palmeiras e
objetos de caça.
Museu - Os objetivos do Museu do Cerrado são promover
atividades focadas nas crianças e adolescentes, desenvolver ações
educativas ambientais e culturais para possibilitar que a população
conheça e valorize as riquezas naturais e culturais. Também visa apoio a
elaboração de planos de turismos sustentável e ações de educação e
proteção patrimonial.
Riqueza - O Museu do Cerrado também visa divulgar e
preservar as riquezas naturais e culturais de Tasso Fragoso; desenvolver
atividades de valorização e preservação natural, cultura popular e
patrimonial e divulgar os sítios arqueológicos e outros produtos
turísticos existentes no município.
Importância - O Museu do Cerrado ainda tem como
objetivo sensibilizar a população a cerca da importância do valor e da
preservação ambiental, cultural e patrimonial; desenvolver atividades
educativas ambientais e culturais nas Escolas, planos, programas e
projetos sociais e identificar a localização dos pontos turísticos
naturais, das grutas e paredões, onde estão as gravuras e pinturas
rupestres e eventuais achados arqueológicos”.
Fonte: O ESTADO DO MARANHÃO