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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Parque Asa Branca, o maior acervo físico deixado por Luiz Gonzaga

Imagem: José Bonifácio/GP1Parque Asa Branca(Imagem:José Bonifácio/GP1)Com área de 1,5 ha, o "Parque Asa Branca" fica numa antiga fazenda comprada por Luiz Gonzaga em 1974

É gratificante conhecer Exu, cidade cuja importância cultural extrapola os limites do Estado de Pernambuco, pois é nacionalmente conhecida como "a terra do Rei do Baião". Foi ali que nasceu (e viveu a infância e parte da adolescência) o cantor/compositor Luís Gonzaga, um dos grandes nomes da música popular brasileira contemporânea, o criador do baião.

Claro que Exu tem outros atrativos. Mas a herança deixada por Luís Gonzaga é, sem nenhuma dúvida, a que mais caracteriza aquela agradável cidade sertaneja, localizada no sopé da Serra do Araripe. Lá, todas as grandes festas acontecem em torno de Gonzagão.

Imagem: José Bonifácio/GP1Ponto(Imagem:José Bonifácio/GP1)No espaço "Ponto da Cultura" se comemoram 2 datas anuais: a do o nascimento e a da morte de Gonzagão

Os festejos de São João e São Pedro, em junho, têm na música criada por Gonzagão a sua essência. E as outras duas maiores festas anuais do município também estão ligadas ao artista: uma celebra o nascimento e a outra, a sua morte.

Tudo isso faz com que o povo pernambucano se sinta orgulhoso do seu conterrâneo, sendo comum o exuense falar “Exu de Luís Gonzaga” ou “Luís Gonzaga de Exu”.

Quem vai a Exu tem como obrigação visitar o espaço criado para curtir o que se pode chamar de gonzagomania: o Parque Asa Branca. Implantado pelo próprio Gozagão, com o objetivo de abrigar todo o seu acervo artístico e pessoal, é naquele parque que anualmente um grupo de artistas (entre os quais os compositores Raimundo Fagner e Dominguinhos) realiza o grande show "Viva Gonzagão" em homenagem ao rei do baião.

A reserva cultural PARQUE ASA BRANCA tem uma área de aproximadamente 15 mil metros quadrados (cerca de 5 tarefas), onde estão distribuídos os seguintes equipamentos:

Imagem: José Bonifácio/GP1CASA GRANDE:(Imagem:José Bonifácio/GP1)CASA GRANDE: Móveis e objetos pessoais de Gonzagão e D. Helena, com quarto do casal na forma original
Imagem: José Bonifácio/GP1No No "Mauzoléu do Gonzagão" estão os túmulos de Luiz Gonzaga, D. Helena (sua 1ª mulher) e Januário (pai)

Museu do Gonzagão
- Com mais de 500 peças que pertenceram ao compositor Luís Gonzaga tais como: discos, sanfona, fotografias e a indumentária típica de sertanejo com a qual o Rei do Baião costumava se apresentar. O museu foi criado pelo próprio compositor, mas só seria inaugurado após a sua morte, em 1989, pelo seu filho Luís Gonzaga Júnior;

Pousada – Construída ao lado da casa de Gonzagão, tem 80 leitos para receber turistas;

Imagem: José Bonifácio/GP1POUSADA SANTANA:(Imagem:José Bonifácio/GP1)POUSADA SANTANA: Construída ao lado da casa de Gonzagão, dispõe de 80 leitos para receber os turistas

Quadra
– Serve para exibição de grupos artísticos. Com palco para apresentação de shows musicais, dispõe de bar e lanchonete para maior comodidade dos visitantes;

Casa de Januário – Pertenceu ao pai de Luís Gonzaga. É também ali que está o mausoléu de Luiz Gonzaga. Em dezembro de 2001, o projeto Viva Gonzagão encaminhou ao Instituto do patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a proposta de tombamento do Parque Asa Branca como um bem do patrimônio artístico nacional.

Imagem: José Bonifácio/GP1CASA DE JANUÁRIO:(Imagem:José Bonifácio/GP1)CASA DE JANUÁRIO: Onde nasceu o "Rei do Baião" e dali partiu para conquistar o Brasil com suas musicas

O filme “Gonzaga - de Pai para Filho”, de Breno Silveira, exibido na semana passada pela Rede Globo, conta a história do músico Luiz Gonzaga (1912-1989). Em Pernambuco, seu estado de origem, quatro espaços culturais (um deles em construção) são dedicados a preservar a memória de Luís "Lua" Gonzaga "Gonzagão" do Nascimento, o Rei do Baião.

Imagem: José Bonifácio/GP1VIVEIRO DA ASA BRANCA:(Imagem:José Bonifácio/GP1)VIVEIRO DA ASA BRANCA: Criado principalmente para divulgar a obra de Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião"

O primeiro, situado em sua cidade natal (Exu), foi idealizado por ele mesmo, já sabendo que seu nome ficaria gravado na cultura do país. É lá que Gonzagão está enterrado, em um mausoléu construído como uma homenagem de seu filho, Gonzaguinha. Também é possível conferir peças do seu vestuário, fotografias, documentos e discos raros em um museu em Caruaru, no interior do estado, e em um memorial no Recife.

Além disso, um ambicioso museu interativo em homenagem a Gonzaga e à cultura sertaneja está sendo construído no Porto do Recife, parcialmente inaugurado no dia 13 de dezembro de 2012 (data que marcou o centenário de nascimento do músico).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Pinturas e gravuras rupestres são rastros de antigas civilizações no Maranhão

Imagem: Museu do CerradoPinturas e gravuras rupestres(Imagem:Museu do Cerrado)Grafismo rupestre indica vestígios de antigas civilizações em Tasso Fragoso, município localizado no sul do Maranhão

Em sua edição impressa de domingo passado, 06 de janeiro de 2013, o jornal O ESTADO DO MARANHÃO publicou ampla reportagem sobre o potencial para o desenvolvimento do turismo cultural, sobretudo arqueológico, no município sul maranhense de Tasso Fragoso.

No Maranhão, diz o texto, a maioria da população ainda desconhece a riqueza arqueológica do estado no que consiste aos registros rupestres. Isso tem uma explicação em função da ausência de instituições, falta de atenção dos órgãos competentes em todas as esferas no investimento de estudos e pesquisas sobre a história da sua população pré-colonial.

No território timbira, assim como em São Raimundo Nonato (PI) e em outras regiões do Brasil, encontra-se um tipo de vestígio arqueológico denominado grafismo rupestre, embora esse registro seja ignorado na região pela ausência de pesquisas.

Tasso Fragoso, denominação dada em homenagem ao general e ex-Presidente da República do Brasil, dispõe de uma riqueza em cavidades naturais e de milhares de gravuras e pinturas rupestres encontradas nas paredes das grutas, onde se encontram pegadas de animais, seguidas por humanas, folhas de palmeiras e objetos de caça.

Situado no sul do estado do Maranhão, distante quase 1.000 quilômetros de São Luis, à margem do rio Parnaíba, a denominação Tasso Fragoso é em homenagem ao general e ex-Presidente da República do Brasil, o maranhense Augusto Tasso Fragoso.

Imagem: Museu do CerradoMORRO DO GARRAFÃO: (Imagem:Museu do Cerrado)MORRO DO GARRAFÃO: Principal Cartão Postal de Tasso Fragoso (MA), um tesouro arqueológico a ser descoberto
Imagem: DivulgaçãoMorro do Garrafão ilustrou capa e página inteira do(Imagem:Divulgação)Ilustrou a capa e a página 03 por inteiro do jornal O ESTADO DO MARANHÃO, edição de domingo último, 06 de janeiro

Veja a reportagem Tasso Fragoso ainda é um tesouro arqueológico a ser descoberto:

“O município de Tasso Fragoso, no extremo sul do Maranhão, se constituiu em 10 anos em uma referência maranhense em sítios arqueológicos e polo potencial para o desenvolvimento do turismo cultural - especialmente o arqueológico - devido à relevância do patrimônio.

O Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) diz que
no município de Tasso Fragoso está o maior número de sítios arqueológicos do Maranhão.

As descobertas feitas até agora revelam a existência de vestígios como gravuras rupestres no interior de grutas e paredões rochosos em serras de arenito, o que reforça, segundo os pesquisadores, a presença de populações pré-históricas.

Tasso Fragoso é o município mais novo a ser incorporado ao complexo do Parque Nacional da Chapada das Mesas. Enquanto os demais do polo exploram o meio ambiente (recursos naturais), Tasso Fragoso tem como cartão de visita a arqueologia. Balsas é a cidade de referência mais próxima. Está distante aproximadamente 140km. No município, existem dois hotéis.

O fotógrafo, ambientalista e historiador Agnaldo Guimarães Fialho, que prefere ser chamado de Lirô, pioneiro em pesquisas no lugar, disse que em 2001, quando ele começou a pesquisa, passou a catalogar o que encontrava, buscou apoio junto a algumas entidades públicas como: Universidades, Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), dentre outros.

Imagem: Museu do CerradoAgnaldo Guimarães Fialho (Lirô Guimarães),(Imagem:Museu do Cerrado)Agnaldo Guimarães Fialho (Lirô): fotógrafo, ambientalista, pesquisador e historiador, fundador do "Museu do Cerrado"

O pesquisador também procurou ajuda do poder público municipal, estadual e Federal e não teve nenhum resultado, exceto palavras de incentivos. Somente em 2008, com a visita de caravana da Secretaria de Estado do Turismo, Sebrae e Iphan, finalmente foi feita uma visita técnica e o trabalho se consolidou. “Depois disso, Luís Marques, do Sebrae, intermediou a vinda de Arklei Marque Bandeira, a responsabilidade e registrar todas as informações e documentar, repassando depois para o Iphan”.

Peculiaridades - Os vários sítios arqueológicos identificados até agora mostram uma estratégia peculiar: os abrigos localizados próximos a cursos d’água e em encostas. Com isso, os ocupantes tinham maior facilidade para obter alimentos e matéria-prima para elaborar objetos e ferramentas do dia a dia, além de proteção e abrigo contra os perigos naturais de grupos inimigos e da própria selva.

Lirô disse que já foram encontrados vários objetos líticos lascados como machadinha, cerâmicas, várias pedras de cortes, raspadores e dois moedores. Segundo ele, todo esse material está devidamente registrado e sob a guarda do Museu do Cerrado, responsabilidade atribuída pela superintendente do Iphan no Maranhão, Kátia Bogea.

“Quando falo em museu, na verdade é uma pequena sala de 5m por 5m cedida pela Prefeitura de Tasso Fragoso, que está repleta de objetos domésticos já em desuso”, diz o pesquisador e conservacionista Agnaldo Guimarães Fialho (Lirô Guimarães).

Imagem: José Bonifácio/GP1O Museu do Cerrado, criado por(Imagem:José Bonifácio/GP1)O Museu do Cerrado, criado por Lirô Guimarães e sua esposa, Neide Cristina, visa mostrar o potencial histórico-cultural

A criação do Museu do Cerrado por Lirô e sua mulher, Neide Cristina Guimarães Fialho, visa mostrar o potencial histórico-cultural do lugar, mas o espaço não comporta mais as doações que chegam aos pesquisadores. “Estamos construindo um espaço melhor, mais amplo, com recursos próprios”, adiantou Lirô, que em seguida queixou-se da falta de recursos: “A obra está parada por falta de recursos, mas o nosso lema é lutar sempre e nunca desistir”.

Sítios - Ainda de acordo com Lirô, a relevância dos achados, associados ao grande número de sítios, caracteriza a Região sul do Maranhão como um importante complexo arqueológico.

Todo esse patrimônio, no ponto de vista do pesquisador, precisa ser preservado dada a sua grande importância para a descoberta da identidade dos primeiros povoadores do extremo sul maranhense, mas é possível conciliar com o turismo.

“A preservação, a pesquisa e a divulgação do legado arqueológico tassofragoense é de responsabilidade de todos e sua gestão deve ser compartilhada pelo poder público e pela comunidade, a verdadeira guardiã de seus bens culturais”, raciocinou o pesquisador, que não esconde o orgulho com o qual vem desenvolvendo pesquisas desde 2001.

Há rastros de antigas civilizações

O Brasil, muito antes da chegada de Pedro Álvares Cabral, já era habitado por grupos nômades, caçadores e pescadores que, segundo pesquisas, eram da Austrália, da Oceania ou da Ásia. Escavações e análises de objetos e desenhos nas pedras, ali deixados pelos primitivos, além de pinturas e gravuras feitas por eles, são o testemunho dessa passagem.

Consta na literatura que esses registros em diferentes suportes de pedra são chamados de arte rupestre ou itacoatiaras, palavra tupi que quer dizer pedra pintada: paredes e tetos de cavernas e abrigos, blocos no chão, pedras nos leitos dos rios, e lajes a céu aberto.
As mais antigas pinturas rupestres brasileiras encontradas nas cavernas estão no Parque Nacional Serra da Capivara na região de São R. Nonato, no sudeste do Piauí.

Imagem: José Bonifácio/GP1Centenas de objetos estão expostos no Museu do Cerrado, desde a antiguidade até os dias atuais,(Imagem:José Bonifácio/GP1)Centenas de objetos antigos e contemporâneos, característicos do Maranhão, estão expostos no "Museu do Cerrado"

No Maranhão, a maioria da população ainda desconhece a riqueza arqueológica do estado no que consiste aos registros rupestres. Isso tem uma explicação em função da ausência de instituições, falta de atenção dos órgãos competentes em todas as esferas no investimento de estudos e pesquisas sobre a história da população pré-colonial.

No estado, assim como em outras regiões do Brasil, encontra-se um tipo de vestígio arqueológico denominado grafismo rupestre, embora esse registro seja ignorado na região pela ausência de pesquisas. Tasso Fragoso dispõe de uma riqueza em cavidades naturais e de milhares de gravuras e pinturas rupestres encontradas nas paredes das grutas, onde se encontram pegadas de animais e de humanos, folhas de palmeiras e objetos de caça.

Museu - Os objetivos do Museu do Cerrado são promover atividades focadas nas crianças e adolescentes, desenvolver ações educativas ambientais e culturais para possibilitar que a população conheça e valorize as riquezas naturais e culturais. Também visa apoio a elaboração de planos de turismos sustentável e ações de educação e proteção patrimonial.

Riqueza - O Museu do Cerrado também visa divulgar e preservar as riquezas naturais e culturais de Tasso Fragoso; desenvolver atividades de valorização e preservação natural, cultura popular e patrimonial e divulgar os sítios arqueológicos e outros produtos turísticos existentes no município.

Importância - O Museu do Cerrado ainda tem como objetivo sensibilizar a população a cerca da importância do valor e da preservação ambiental, cultural e patrimonial; desenvolver atividades educativas ambientais e culturais nas Escolas, planos, programas e projetos sociais e identificar a localização dos pontos turísticos naturais, das grutas e paredões, onde estão as gravuras e pinturas rupestres e eventuais achados arqueológicos”.



Fonte: O ESTADO DO MARANHÃO