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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Jurdan Gomes escreve poema relembrando sua infância em Fronteiras

Imagem: DivulgaçãoJurdan Gomes,(Imagem:Divulgação)Jurdan Gomes, o 'Poeta Cantador' ou o 'Cantador do Sertão', escreve poema relembrando a sua infância em Fronteiras

O radialista, jornalista, poeta, escritor, compositor, cantor e politico Jurdan Gomes, que em março de 2014 lançou mais um CD, intitulado Um Balaio de Cantigas, prova que vive sempre inspirado e despertando a via poética, ao escrever mais um poema, recheado de imaginação.

Jurdan Gomes, o ‘Poeta Cantador’ ou o ‘Cantador do Sertão’, como ele se autodenomina, mora em Belém do Piauí há bastante tempo, município onde já foi eleito prefeito, postou no Facebook o poema MINHA TERRA ANTIGAMENTE, relembrando sua infância na cidade de Fronteiras, localizada na mesorregião sudeste do Piauí, distante 406 quilômetros de Teresina.


Imagem: ReproduçãoBR-230 (Transamazônica)(Imagem:Reprodução)BR-230/PI (Rodovia Transamazônica) na cidade de Fronteiras, onde o poeta Jurdan Gomes viveu quando era criança

No post em rede social, Jurdan Gomes conta: “A minha amiga Maristela Magalhães, comentou uma foto minha, quando ví o comentário dela, lembrei nossa juventude em Fronteiras, fiz uma equiparação dos dois tempos, ontem e hoje, resolví escrever o seguinte:

MINHA TERRA ANTIGAMENTE
.
Uma galinha ciscando
No terreiro de Maria
Uns ovos numa bacia
Pra Chica vender na feira
O pretume da chaleira
Da fumação do fogão
Uma esteira no chão
Pra um pançudim se sentar
Depois comer o fubar
ficar alegre e contente
Agradecer se benzendo
Isso é mesmo que tá vendo
Minha terra antigamente

Um pote numa furquilha
Na boca um pano bordado
Um caximbo bem guardado
Nas brechas de um caritó
O retrato de vovó
Desbotado na parede
Uns tornos de armar rede
No alpendre do oitão
Uma cangai no chão
Um jumento já demente
Escute o que tô dizendo
Isso é mesmo que eu tá vendo
Minha terra antigamente

Um porco fuçando as fezes
Na cintina de padim
Maria de Joaquim
Rodando um fuso no dedo
A carreira de Zé Pedo
Atraz dum garrote manso
Nas grotas corre o remanso
No coice da enxorrada
Gangila dando risada
Sem ter um dente na frente
Simplesmente eu tô dizendo
Isso é mesmo que tá vendo
Minha terra antigamente

Dona Guidé com bravura
Implantando educação
As quadrilhas de são João
Valdir Pereira gritando
Amélia se perfumando
Zeca Galo de bituca
Teresinha mais Patuca
No cafezim da esquina
Mariano e Rosalina
Fazendo mala e refresco
Raimunda com bolo fresco
Pão de ló com café quente
Cara de sapo comendo
Isso é mesmo que tá vendo
Minha terra antigamente

Os fogos embusca do céu
Nas festas da padroeira
Cantado Santa Nogueira
Os benditos de Maria
Quando o padre se benzia
Começava a procisão
Na frente da multidão
Zé Paulino com uma cruz
Era amigo de Jesus
Católico muito decente
E os festejos acontecendo
Isso é mesmo que eu tá vendo
Minha terra antigamente

Nossa mera juventude
No futebol, serenata
Querendo iludir as gata
Dedilhando um violão
Quase morro de paixão
foi um grande desafio
Do outro lado do rio
morava a loura singela
Inda existe a casa dela
Mas ela hoje vive ausente
Eu só estou lhe dizendo
Isso é mesmo que tá vendo
Minha terra antigamente.

Hoje... hoje o tinido assombrador
Das balas de trinta e oito
Os pipocos dando açoito
Nos buracos dos ouvido
O clamor o alarido
De quem só deseja paz
Isso acontece demais
Desrespeito e rebeldia
Falo isso é hoje em dia
Falta sossego pra gente
Isso nos faz sentir dó
Sendo assim foi bem melhó
Minha terra antigamente ...


AUTOR: JURDAN GOMES (27.12.214)"


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Parque Asa Branca, o maior acervo físico deixado por Luiz Gonzaga

Imagem: José Bonifácio/GP1Parque Asa Branca(Imagem:José Bonifácio/GP1)Com área de 1,5 ha, o "Parque Asa Branca" fica numa antiga fazenda comprada por Luiz Gonzaga em 1974

É gratificante conhecer Exu, cidade cuja importância cultural extrapola os limites do Estado de Pernambuco, pois é nacionalmente conhecida como "a terra do Rei do Baião". Foi ali que nasceu (e viveu a infância e parte da adolescência) o cantor/compositor Luís Gonzaga, um dos grandes nomes da música popular brasileira contemporânea, o criador do baião.

Claro que Exu tem outros atrativos. Mas a herança deixada por Luís Gonzaga é, sem nenhuma dúvida, a que mais caracteriza aquela agradável cidade sertaneja, localizada no sopé da Serra do Araripe. Lá, todas as grandes festas acontecem em torno de Gonzagão.

Imagem: José Bonifácio/GP1Ponto(Imagem:José Bonifácio/GP1)No espaço "Ponto da Cultura" se comemoram 2 datas anuais: a do o nascimento e a da morte de Gonzagão

Os festejos de São João e São Pedro, em junho, têm na música criada por Gonzagão a sua essência. E as outras duas maiores festas anuais do município também estão ligadas ao artista: uma celebra o nascimento e a outra, a sua morte.

Tudo isso faz com que o povo pernambucano se sinta orgulhoso do seu conterrâneo, sendo comum o exuense falar “Exu de Luís Gonzaga” ou “Luís Gonzaga de Exu”.

Quem vai a Exu tem como obrigação visitar o espaço criado para curtir o que se pode chamar de gonzagomania: o Parque Asa Branca. Implantado pelo próprio Gozagão, com o objetivo de abrigar todo o seu acervo artístico e pessoal, é naquele parque que anualmente um grupo de artistas (entre os quais os compositores Raimundo Fagner e Dominguinhos) realiza o grande show "Viva Gonzagão" em homenagem ao rei do baião.

A reserva cultural PARQUE ASA BRANCA tem uma área de aproximadamente 15 mil metros quadrados (cerca de 5 tarefas), onde estão distribuídos os seguintes equipamentos:

Imagem: José Bonifácio/GP1CASA GRANDE:(Imagem:José Bonifácio/GP1)CASA GRANDE: Móveis e objetos pessoais de Gonzagão e D. Helena, com quarto do casal na forma original
Imagem: José Bonifácio/GP1No No "Mauzoléu do Gonzagão" estão os túmulos de Luiz Gonzaga, D. Helena (sua 1ª mulher) e Januário (pai)

Museu do Gonzagão
- Com mais de 500 peças que pertenceram ao compositor Luís Gonzaga tais como: discos, sanfona, fotografias e a indumentária típica de sertanejo com a qual o Rei do Baião costumava se apresentar. O museu foi criado pelo próprio compositor, mas só seria inaugurado após a sua morte, em 1989, pelo seu filho Luís Gonzaga Júnior;

Pousada – Construída ao lado da casa de Gonzagão, tem 80 leitos para receber turistas;

Imagem: José Bonifácio/GP1POUSADA SANTANA:(Imagem:José Bonifácio/GP1)POUSADA SANTANA: Construída ao lado da casa de Gonzagão, dispõe de 80 leitos para receber os turistas

Quadra
– Serve para exibição de grupos artísticos. Com palco para apresentação de shows musicais, dispõe de bar e lanchonete para maior comodidade dos visitantes;

Casa de Januário – Pertenceu ao pai de Luís Gonzaga. É também ali que está o mausoléu de Luiz Gonzaga. Em dezembro de 2001, o projeto Viva Gonzagão encaminhou ao Instituto do patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a proposta de tombamento do Parque Asa Branca como um bem do patrimônio artístico nacional.

Imagem: José Bonifácio/GP1CASA DE JANUÁRIO:(Imagem:José Bonifácio/GP1)CASA DE JANUÁRIO: Onde nasceu o "Rei do Baião" e dali partiu para conquistar o Brasil com suas musicas

O filme “Gonzaga - de Pai para Filho”, de Breno Silveira, exibido na semana passada pela Rede Globo, conta a história do músico Luiz Gonzaga (1912-1989). Em Pernambuco, seu estado de origem, quatro espaços culturais (um deles em construção) são dedicados a preservar a memória de Luís "Lua" Gonzaga "Gonzagão" do Nascimento, o Rei do Baião.

Imagem: José Bonifácio/GP1VIVEIRO DA ASA BRANCA:(Imagem:José Bonifácio/GP1)VIVEIRO DA ASA BRANCA: Criado principalmente para divulgar a obra de Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião"

O primeiro, situado em sua cidade natal (Exu), foi idealizado por ele mesmo, já sabendo que seu nome ficaria gravado na cultura do país. É lá que Gonzagão está enterrado, em um mausoléu construído como uma homenagem de seu filho, Gonzaguinha. Também é possível conferir peças do seu vestuário, fotografias, documentos e discos raros em um museu em Caruaru, no interior do estado, e em um memorial no Recife.

Além disso, um ambicioso museu interativo em homenagem a Gonzaga e à cultura sertaneja está sendo construído no Porto do Recife, parcialmente inaugurado no dia 13 de dezembro de 2012 (data que marcou o centenário de nascimento do músico).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Poeta Jurdan Gomes lança novo poema intitulado "Tô cum medo das muié"

O poeta cantador Jurdan Gomes, que chegou a ser reconhecido pelo saudoso patativa do Assaré como um dos grandes poetas do Brasil, acaba de lançar seu novo trabalho literário. Filho de Antonio Gomes e de Higina Gomes Rodrigues, o poeta Antonio Gomes de Sousa (Jurdan Gomes) nasceu na cidade de Fronteiras (PI ) em 09 de outubro de 1955.

Jurdan é radialista, jornalista, poeta, escritor, compositor, cantor e político. Tem uma bibliografia vasta, incluindo livros que relatam a realidade da vida interiorana no seu idioma coloquial, com poesias que trazem a vivência do povo nordestino como também os acontecimentos do planeta terra.

Entre as obras publicadas pelo fronteirense Jurdan Gomes, estão “Prefeito também canta”, “O cantador do sertão”, “O morto vivo”, “Tenda do desprezo”, “Pousada dos Marmeleiros”, “Nas margens do Coroatá”, “Idioma de caboclo”, “Espinhos na garganta”, “Um jacá de idiotice” e tantos outros livros que relatam a realidade da vida interiorana no seu idioma coloquial.

Jurdan Gomes também lançou alguns CD’s. Um deles foi “Forró de Garagem”, gravado em 2002, com 20 canções inéditas. A música “É difícil ser Prefeito” era o carro-chefe do disco, em cuja letra da canção ele mostrava a difícil missão que um político tem que enfrentar ao ser eleito prefeito de uma pequena cidade do interior piauiense.

Em “Tô cum medo das muié”, o poeta popular Jurdan Gomes fala do receio que tinha de um dia ver o Brasil sendo governado por uma mulher, ao mesmo tempo em que reconhece o moral e a honestidade da presidenta Dilma que, segundo ele, já merece o respeito até de Barack Obama. Acompanhe:

Meu amigo eu to cum medo
Dos homi ficá pra trás
Eu repeti muitas vezes
Muié num era capaz
Quando Lula dicidiu
Entregar nosso Brasil
Pra uma muié gonvernar
Eu pensei: ficou maluco
O cabra do Pernambuco
Vai rasgar seu patuár.
Quando as urnas foram abertas
E o resultado saiu
Eu gritei foi em voz alta
Lascaram nosso Brasil
Pra que foi acontecer
Uma muié no poder

Ninguém sabe nem quem é.
Fiquei mei preocupado
Assim de uréia em pé
Olhando só de bituca
O governo da muié
O que eu pensei foi quimera
A muié ta uma fera
Governando este país
Até cá no meu Nordeste.
Gonverna com precisão
Honestidade e moral
Os cabras que são corruptos
Tão tudo levando pau
Nosso moeda ta forte

Até o Barack Obama
Anda todo arreganhado.
                                   Nosso país ta crescendo
É bom pra nossa nação
Eu só to preocupado
É com essa transformação
As muié tomando a frente
Tem ministra, presidente
Os homi que tão nascendo
Quer tudo é virar muié.
O país ta muito bom
Com essa mudança séria
Sei que é inevitável
Ainda existe miséria
Mas ta no caminho certo
O nosso povo liberto
Com pouca falta de pão
Eu quero encontrar urgente
Nossa grande presidente
Pro mode eu pedir perdão.