Imagem: José Bonifácio/GP1
A falta de chuva tem prejudicado os criadores em todo o sudoeste do
Piauí. No município de Santa Filomena, em plena região do cerrado
piauiense, onde costuma chover mais de 1.500 milímetros durante o ano,
já são 163 dias sem chuva; ou seja, quase metade do ano.
Desde o dia 18 de maio não chove na cidade de Santa Filomena e,
observando a média histórica, já se pode considerar como a pior seca dos
últimos 28 anos. Isso pode ser o retrato da ausência de cuidados do
homem para com o patrimônio natural. As queimadas são, sem dúvida, as
principais causas da falta de chuvas, do clima seco e das altas
temperaturas.
Imagem: José Bonifácio/GP1
Passados 303 dias, e faltando 63 dias para findar 2012, o acumulado do
ano na cidade de Santa Filomena é de apenas 796,5 milímetros,
distribuídos da seguinte forma: janeiro – 222,0 mm; fevereiro – 206,0
mm; março – 221,0 mm; abril – 65,5 mm; e maio – 82,0 mm. A chuva que
caiu até agora equivale a 51,6% da média histórica do período entre
janeiro de 1984 e dezembro de 2011, de 1.541,4 mm, conforme dados
fornecidos pelo escritório do Emater.
Imagem: José Bonifácio/GP1
Segundo a meteorologia (
http://www.accuweather.com/pt/br/santa-filomena/40463/daily-weather-forecast/40463?day=6),
há possibilidade de chuva fraca nos primeiros dias de novembro (2 a 5).
Mesmo assim, as precipitações não serão suficientes para amenizar a
situação. Enquanto isso, as temperaturas devem variar de 21 graus
Celsius a 40 ºC.
Na manhã da última quinta-feira (26), vimos uma cena pouco comum em
Santa Filomena. Na localidade Inchu, propriedade situada no vale do
Taquara, distante 15 quilômetros da cidade de Santa Filomena,
pertencente à senhora Maria Raimunda, acompanhamos o experiente vaqueiro
Jesuino Gomes erguendo um “jirau” - espécie de grade de varas, sobre
esteios fixados no chão, que serve de cama -, buscando levantar uma
vaca. O referido animal havia sido encontrado a cerca de 6 dias, atolado
numa vereda, certamente à procura de comida.
Imagem: Divulgação
Assim como dona Maria Raimunda, diversos outros pequenos criadores da
região passam pelos mesmos problemas, pois além da falta de chuvas,
praticamente todas as pastagens foram destruídas pelo fogo, tanto a
cultivada quanto a extensiva (nativa).
Alguns criadores de Santa Filomena tentam
vender
parte do rebanho, objetivando salvar o gado restante, mas não conseguem
comercializar com os açougueiros, tendo em vista que os bovinos se
encontram magros e bastante debilitados, quase sem nenhum valor
comercial.