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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Com 163 dias sem chuva, sul do Piauí sofre a maior seca dos últimos 28 anos

Imagem: José Bonifácio/GP1VACA(Imagem:José Bonifácio/GP1)         

A falta de chuva tem prejudicado os criadores em todo o sudoeste do Piauí. No município de Santa Filomena, em plena região do cerrado piauiense, onde costuma chover mais de 1.500 milímetros durante o ano, já são 163 dias sem chuva; ou seja, quase metade do ano.

Desde o dia 18 de maio não chove na cidade de Santa Filomena e, observando a média histórica, já se pode considerar como a pior seca dos últimos 28 anos. Isso pode ser o retrato da ausência de cuidados do homem para com o patrimônio natural. As queimadas são, sem dúvida, as principais causas da falta de chuvas, do clima seco e das altas temperaturas.

Imagem: José Bonifácio/GP1Dona Maria Raimunda(Imagem:José Bonifácio/GP1)       

Passados 303 dias, e faltando 63 dias para findar 2012, o acumulado do ano na cidade de Santa Filomena é de apenas 796,5 milímetros, distribuídos da seguinte forma: janeiro – 222,0 mm; fevereiro – 206,0 mm; março – 221,0 mm; abril – 65,5 mm; e maio – 82,0 mm. A chuva que caiu até agora equivale a 51,6% da média histórica do período entre janeiro de 1984 e dezembro de 2011, de 1.541,4 mm, conforme dados fornecidos pelo escritório do Emater.

Imagem: José Bonifácio/GP1Pastagem(Imagem:José Bonifácio/GP1)

Segundo a meteorologia (http://www.accuweather.com/pt/br/santa-filomena/40463/daily-weather-forecast/40463?day=6), há possibilidade de chuva fraca nos primeiros dias de novembro (2 a 5). Mesmo assim, as precipitações não serão suficientes para amenizar a situação. Enquanto isso, as temperaturas devem variar de 21 graus Celsius a 40 ºC.

Na manhã da última quinta-feira (26), vimos uma cena pouco comum em Santa Filomena. Na localidade Inchu, propriedade situada no vale do Taquara, distante 15 quilômetros da cidade de Santa Filomena, pertencente à senhora Maria Raimunda, acompanhamos o experiente vaqueiro Jesuino Gomes erguendo um “jirau” - espécie de grade de varas, sobre esteios fixados no chão, que serve de cama -, buscando levantar uma vaca. O referido animal havia sido encontrado a cerca de 6 dias, atolado numa vereda, certamente à procura de comida.

Imagem: DivulgaçãoMeteorolgia(Imagem:Divulgação)

Assim como dona Maria Raimunda, diversos outros pequenos criadores da região passam pelos mesmos problemas, pois além da falta de chuvas, praticamente todas as pastagens foram destruídas pelo fogo, tanto a cultivada quanto a extensiva (nativa).

Alguns criadores de Santa Filomena tentam vender parte do rebanho, objetivando salvar o gado restante, mas não conseguem comercializar com os açougueiros, tendo em vista que os bovinos se encontram magros e bastante debilitados, quase sem nenhum valor comercial.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Pela terceira vez Santa Filomena vacina 100% do rebanho contra a Febre Aftosa

O Município de Santa Filomena, localizado no sudoeste do Piauí, foi o primeiro a vacinar 100% do rebanho, na segunda etapa da campanha contra a febre aftosa. As informações são da unidade da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (Adapi).

O relatório consolidado do dia 16 de janeiro de 2012 mostra Santa Filomena com 100% de vacinação, fato que ocorre pela terceira vez desde a implantação da Agência na cidade. Durante as outras etapas, o município conseguiu vacinar mais de 99% do seu rebanho.

Conforme os dados divulgados pelo escritório da Adapi, foram imunizados na segunda etapa de 2011 todos os 15.091 bovinos existentes, dos quais 11.262 (74,6%) são do sexo feminino. O curioso é que nos últimos seis meses foram vendidos aproximadamente 2 mil bezerros para outros Estados – principalmente Maranhão – e mesmo assim o rebanho ficou estabilizado.

“É sinal de que todos os 427 criadores de Santa Filomena, distribuídos em 394 propriedades rurais, estão conscientes de suas responsabilidades”, afirmou Everaldo Lustosa de Sousa, chefe do escritório da Adapi, que aproveitou para agradecer o empenho dos parceiros.

Participaram ativamente da segunda etapa da campanha, os “barreiristas” Albertino Júnior Alves Barreira, André Novaes de Lima, Caio Lustosa de Alencar Neto e Leandro Nazareno Nascimento, além de outros profissionais ligados ao setor, como do Emater e do Sindicato dos Trabalhadores Trabalhadoras Rurais, sem deixar de lado o grande esforço dos criadores.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Agricultores sofrem os efeitos de mais uma seca impiedosa no sertão do Piauí


A seca impiedosa está novamente castigando a região de Pio IX, no leste do estado do Piauí. Pessoas e animais sofrem com a falta de chuva. O período chuvoso nunca começou, deixando o agricultor Francisco Regiwaldo Bezerra preocupado. “O sofrimento aqui é grande. A gente tem que se virar de todo jeito”, disse.

Regiwaldo Bezerra se desfez de suas economias e teve que pagar 60 horas/Trator para ampliar uma aguada próxima à residência, com capacidade para acumular cerca de 2 mil metros cúbicos de água, a fim de garantir a manutenção do seu sítio de 115 hectares. Só que até o momento, o barreiro continua seco, à espera das primeiras chuvas.

O quadro no sertão de Pio IX está se tornando desolador, pois os animais estão quase sem pasto para se alimentar e com escassez de água para beber. Na localidade Jurema, distante 35 km da sede municipal, foram registrados menos de 600 milímetros de chuva durante todo o ano de 2011. No ano anterior, o índice pluviométrico chegou a apenas 482,5 milímetros.

Criadores de gado do município de Pio IX e de todo o leste piauiense já amargam significativas perdas no rebanho, com a morte de animais por falta de pasto e água. Eles estão preocupados porque, dia após dia, os animais vão perdendo as fontes para beber e comer e, por causa disso, terminam morrendo, sem que ninguém possa fazer absolutamente nada.

Em meio ao pedregulho, semelhante a um deserto, animais buscam o que comer mas dificilmente encontram. Nos pequenos açudes, a pouca água esverdeada não serve mais para o consumo nem dos animais.

Sob uma temperatura diária de até 38º C à sombra, moradores que habitam a zona rural não escondem a tristeza com o quadro que se delineou. É um cenário triste, muito comum em Pio IX e região, trazendo de volta os problemas tradicionais, que já são conhecidos por todos.