quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Santa Filomena é uma área propícia à produção de diamantes de alta qualidade

Imagem: José Bonifácio/GP11(Imagem:José Bonifácio/GP1)O Kimberlito Redondão, em Santa Filomena, no sudoeste do Piauí, pode ser área com os melhores diamantes do Mundo

Quem disse foi o juiz da Vara Agrária do Piauí, Eliomar Rios, que elaborou uma proposta para acabar com o problema da grilagem de terras no Estado, e que por algum tempo respondeu pela Comarca de Santa Filomena, no sudoeste do Piauí, como Juiz de Direito Substituto.

A informação foi dada ao Jornal do Piauí, apresentado pelo jornalista Amadeu Campos, na TV Cidade Verde, de Teresina. Claro que o magistrado Eliomar Rios não foi à televisão para discutir geologia, mas sim para falar sobre o Projeto que cancela títulos de terra na região do cerrado piauiense, a ser encaminhado à Assembleia Legislativa (ALEPI), no início de 2015.


Imagem: Raoni Barbosa1(Imagem:Raoni Barbosa)
2(Imagem:1)Quem disse isso foi o juiz Eliomar Rios, da Vara Agrária de Bom Jesus, em entrevista à TV Cidade Verde, de Teresina

O Dr. Eliomar Rios chamou atenção para um fato que poucas pessoas sabem; a existência do Kimberlito Redondão, na Serra das Guaribas, localizada no município de Santa Filomena.

Ele disse ao Amadeu Campos que um estudo de 7 (sete) anos de duração comprovou que o município de Santa Filomena é uma área propícia à produção de diamantes de alta qualidade, uma das mais puras do mundo, apesar dos piauienses não saberem. "O Piauí é um Estado riquíssimo, mas infelizmente, 80% de sua população desconhece isso", finalizou.


Imagem: CPRMUma das equipes de campo da CPRM recebendo treinamento sobre o Kimberlito Redondão(Imagem:CPRM)Uma das equipes de campo da CPRM recebendo treinamento sobre o Kimberlito Redondão, pelo Projeto Diamante Brasil

Na verdade, o juiz Eliomar Rios se referiu às pesquisas que vêm sendo desenvolvidas pela CPRM (Serviço Geológico do Brasil), abrangendo os aspectos da geologia do diamante no Brasil. Iniciado em 2008, por meio do Projeto Diamante Brasil, é um trabalho sistemático de pesquisas, voltado para a análise de rochas portadoras de diamantes, kimberlitos e garimpos.

O projeto tem como meta integrar as características geológicas do diamante, incluindo fontes primárias (extraído diretamente da rocha) e secundárias (nos aluviões). Outra vertente do projeto diz respeito à discussão geológica dos garimpos de diamante, que desempenham papel de destaque na economia brasileira e possuem importante valor histórico.

Imagem: GoogleDiafragma do Kimberlito Redondão vista por satélite(Imagem:Google)Diafragma do Kimberlito Redondão vista por satélite, com 1.100m de diâmetro e distante cerca de 4,5 km da BR-235/PI

KIMBERLITO REDONDÃO
- No diatrema do Redondão, na Serra das Guaribas, situada no sudoeste piauiense, a 50 quilômetros da cidade de Santa Filomena, já foram encontrados e identificados mais de dez corpos. Porém é, ainda, uma província kimberlítica desconhecida.

O pipe ou diatrema (chaminé vulcânica) do Kimberlito Redondão, intrusivo em rochas paleozóicas da bacia sedimentar do nosso Rio Parnaíba, forma uma cratera grosseiramente circular, com cerca de 1.100 metros de diâmetro e profundidade em torno de 40-50 metros.

Dentro da sua enorme abertura, o relevo é formado por pequenas colinas, resultantes da dissecação causada pelo riacho Mateiro, que drena a área e se precipita para fora da cratera em forte quebra topográfica, superior a 100 (cem) metros, e segue rumo ao Povoado Matas.


Imagem: José Bonifácio/GP11(Imagem:José Bonifácio/GP1)
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2(Imagem:1)Diatrema do Kimberlito Redondão, intrusivo em rochas paleozóicas, causa uma extrema admiração aos raros visitantes

Controlado por uma empresa canadense, o Kimberlito Redondão foi descoberto ainda na década de 1960, graças aos trabalhos exploratórios pioneiros da Petrobrás. Até onde se sabe, é considerado estéril, por não ser portador de diamantes, haja vista que esses minerais se acham resguardados apenas em suas partes mais profundas. As camadas superiores, onde havia maiores possibilidades de conter diamantes, foram destruídas pelo intemperismo e carregadas para locais ainda desconhecidos, conforme os primeiros pesquisadores.

O ponto no qual se localiza o Kimberlito Redondão tem clima semi-úmido, caracterizado por duas estações distintas: uma seca (de maio a outubro) e outra chuvosa (de novembro a abril), com precipitação média anual de cerca de 1.500 milímetros. A cobertura é o cerrado típico do Brasil Central, constituída por árvores baixas de troncos e galhos retorcidos, espalhadas em meio a arbustos e a um tapete de gramíneas. O contraste entre essas comunidades florísticas é mais acentuado na estação seca, época em que as gramíneas se encontram murchas e a folhagem da vegetação circundante de maior porte permanece verde.


Imagem: José Bonifácio/GP11(Imagem:José Bonifácio/GP1)A cratera do Redondão se rompe do lado norte, em forte queda topográfica, superior a 100m, e forma o riacho Mateiro 
 
Torcemos para que, conforme declarou o juiz Eliomar Rios, haja sim depósitos diamantíferos significativos, similares aos que foram descobertos nos séculos XIX e XX em diversas regiões do país, como nos estados de Minas Gerais (Serra da Canastra e Presidente Olegário), Piauí (Gilbués e Monte Alegre), Paraná (Rio Tibagi), São Paulo (Franca), Mato Grosso do Sul (Aquidauana), Goiás (Israelândia e Araguatins), Pará (Itupiranga e Itaituba) e Tocantins.

Essas regiões se mantiveram hegemônicas no território brasileiro até meados dos anos 80. Mas, atualmente, suas reservas se encontram relativamente próximas da exaustão.


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