Hoje, terça-feira (20), é celebrado o Dia Nacional do Zumbi e da
Consciência Negra, que marca anualmente a morte do lider negro Zumbi dos
Palmares. Embora a celebração tenha sido oficializada pela presidente
Dilma Rousseff em 2011, cada município decide se decreta ou não feriado .
Devido à relevância da data, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância
da cultura e do povo africano no Brasil, o município de Santa Filomena,
localizado no sudoeste piauiense e distante 920 quilômetros da capital,
adota o dia 20 de Novembro (Dia da Consciência Negra) como feriado
municipal, com base na Lei Orgânica Municipal (artigo 13 dos Atos das
Disposições Transitórias), revisada e aprovada em 30 de junho de 2008.
Isso ocorre porque o
município de Santa Filomena abriga um cemitério onde eram enterrados
escravos, verdadeiro patrimônio de interesse histórico e ambiental, além
de ser o retrato da aristocrática sociedade daqueles tempos idos.
Localizado próximo à sede da Fazenda Ponta da Serra, a 25 quilômetros da
cidade de Santa Filomena e na beira da BR-235/PI, o recinto é um local
em separado, já que brancos e negros não podiam dividir o mesmo
ambiente, fosse em vida, fosse na morte.
Do lado de dentro estão nada mais do que cinco sepulturas, onde
supostamente estão sepultados os esqueletos dos brancos, enquanto que os
negros escravizados eram enterrados do lado de fora do muro de pedras,
pressupondo a segregação racial.
Murado
de pedras toscas, com paredes de até 2 metros de altura por quase 50
centímetros de largura, com mais ou menos 100 metros quadrados de área. E
um lugar diferente, que abre uma porta para a história da
escravatura no sul do Piauí.
O
cemitério dos escravos de Santa Filomena se localiza no sopé da Ponta
da Serra, donde se avista parte do Vale do Taquara. Para se chegar até
ele é preciso transpor a vegetação nativa e subir uns 100 metros
de degraus naturais, em meio a arbustos e pedra bruta.
O
lugar, um espaço de memória, em processo de deterioração e que resiste
ao mais completo estado de abandono, precisa ser recuperado
urgentemente, não só como resgate de uma cultura, mas preservando traços
de uma época.
O
trabalho
escravo na Fazenda Ponta da Serra teria acontecido até fins do século
XIX, por volta do ano 1880, na criação de gado e na exploração agrícola,
principalmente no cultivo de cana-de-açúcar. No referido imóvel ainda
há vestígios do trabalho escravo. Além do cemitério, existe uma muralha
de pedras com mais de mil metros de extensão, obra construída pelos
negros.
Não se tem notícia da origem da população negra que trabalhou como
escrava em território filomenense, possivelmente de Angola, no oeste da
África.
Do mesmo modo não se sabe o número exato de escravos que viveram
na região; porém, pela quantidade de sepulturas existentes no
cemitério, estima-se que deveriam ser mais de 50.
A Fazenda Ponta da Serra
pertencia ao branco proprietário e dono de escravos Cícero Lustosa da
Cunha, filho do Coronel José Lustosa da Cunha (primeiro e único Barão de Santa Filomena).