domingo, 4 de setembro de 2011

Inaugurada capela de Santa Luzia na comunidade Brejo das Ovelhas

Capela de Santa Luzia, no Povoado Brejo das Ovelhas
A partir de agora, os católicos do Povoado Brejo das Ovelhas não precisam mais assistir as missas na Escola da comunidade. A igreja foi inaugurada oficialmente na manhã de ontem, sábado (03), durante missa celebrada pelo padre José Manoel Águila Martins.

O prédio de 90 metros quadrados custou cerca R$ 10 mil, bancados com doações da própria comunidade. A construção começou em maio passado e contou ainda com a ajuda financeira de alguns amigos de Leondina Leite Ramos (Dona Leonda), uma senhora com 89 anos que sonhava ver a obra concluída.

Pe. José Manoel abençoa instalações, ao lado de D. Leonda
Além de pessoas da localidade Brejo das Ovelhas, também estavam presentes o prefeito Esdras Avelino Filho (PTB) e os vereadores João Lustosa Avelino (PTB), José Bonifácio Bezerra (PC do B) e Renato Vieira Miranda (PTB).

“Estou muito feliz. Era o maior sonho da minha vida. Várias pessoas ajudaram para a construção dessa Igreja”, disse Dona Leonda Ramos – visivelmente emocionada – ao final da celebração eucarística.

Missa inaugura a Capela de Santa Luzia, no Brejo das Ovelhas
De 04 a 13 de dezembro a festividade em louvor a Santa Luzia será celebrada pela primeira vez no templo religioso, quando fiéis se reúnem sempre às 19 horas, para rezar a novena festiva. Antes, o encontro para orações ocorria na própria residência da Dona Leonda.

Segundo os católicos, Santa Luzia foi uma mulher temente a Deus. Após ser presa por soldados, teve seus olhos arrancados, mas no outro dia ela acordou como se nada tivesse acontecido. Daí ser considerada pelos devotos como a protetora dos olhos e da visão.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Umidade do ar atinge nível crítico na microrregião do Alto Parnaíba

Baixa umidade relativa do ar atinge nível emergencial
A umidade relativa do ar atinge nível crítico nas cidades de Santa Filomena (PI), Alto Parnaíba (MA) e toda microrregião do Alto Parnaíba Piauiense e Maranhense. De acordo com informações da agência Tempo Agora, a zona urbana de Santa Filomena deverá registrar 21% de umidade relativa do ar por volta das 15 horas de hoje, sexta (02).

Apesar de não existir um serviço de proteção civil nessas comunidades, com um conjunto de ações preventivas, destinadas a evitar ou minimizar os desastres naturais e restabelecer a normalidade social, Santa Filomena e Alto Parnaíba se encontram em estado de alerta, tendo em vista que o nível verificado está abaixo de 25% (vinte e cinco por cento). A situação é idêntica também nos municípios de Tasso Fragoso (MA), Baixa Grande do Ribeiro (PI), Ribeiro Gonçalves (PI) e Uruçuí (PI), exigindo assim alguns cuidados especiais, como:

- Beber muita água. Sucos naturais frescos e água de côco são boas opções;
- Evitar se expor mais de 1 hora ao sol;
- Usar roupas brancas, de preferência leves;
- Preferir ventilação natural, evitando ar-condicionados;
- Em ambientes fechados, usar uma toalha molhada ou umidificador de ar;
- Fugir de banhos com água muito quente, que provocam ressecamento da pele.

Microrregião do Alto Parnaíba em estado de alerta
O problema poderá se agravar ainda mais durante a próxima semana, quando os índices de umidade relativa do ar devem chegar perto dos 15% em Santa Filomena e Alto Parnaíba, a partir de terça-feira, dia 6 de setembro, véspera do feriado.

O quadro - menos de 18% - preocupa, pois configura situação de emergência, conforme estabelece os padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS), exigindo cuidados muito mais sérios em relação ao já mencionado estado de alerta.

Às escolas, a Defesa Civil certamente faria um alerta especial, como suspender exercícios físicos exaustivos sob sol ou teto metálico, manter as salas de aula com o máximo de ventilação possível, criar oportunidade para que as crianças umedeçam as narinas e o rosto e estar atento aos alunos com ânimo abatido ou queda de rendimento escolar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

As impropriedades da campanha "Piauí Unido, Feliz por inteiro"

Zeferino Jr: "A discussão começa a me entediar"
Em artigo publicado no Jornal Diário do Povo, dia 26 de agosto de 2011, o servidor público Zeferino Júnior faz uma análise sobre o posicionamento dos divisionistas e dos que são radicalmente contra a divisão territorial do Piauí. A presente matéria está postada também no site do CEDEG – Centro de Estudos e Debates do Gurgueia (www.gurgueia.org.br/):

“Já consignei em alguns textos, publicados nos jornais locais, considerações sobre a divisão do Estado do Piauí. Apontei questões que reputei importantes nessa discussão que tanto alimenta os ânimos políticos, populares e intelectuais do Estado.

Alguns questionamentos de ordem política – muitos dos que encabeçam essa idéia fez parte de um modelo político que contribuiu para a miséria no Estado, isso é fato – e outros, com base na lógica que permeia o discurso dos divisionistas – se a divisão não traz prejuízos, mas ganhos para todos os entes políticos envolvidos, teríamos encontrado a fórmula mágica para todo o problema da miséria no país – formaram o eixo dos meus argumentos.

Abri mão de discutir as questões econômicas envolvidas por ignorância, uma vez que, para discuti-las, é necessário ter um mínimo de conhecimento de economia e gastos públicos.
Sempre atento à movimentação dessa idéia, acompanhei, recentemente, o manifesto dos não-divisionistas, encabeçado por alguns políticos, intelectuais e artistas defensores do, como é mesmo?, “Piauí Unido e Feliz”.

Embora não tenha ido ao encontro, pincei alguns discursos proferidos pela tevê de alguns dos ideólogos da “união pela felicidade”. Merlong Solano, deputado estadual, foi enfático: “vai haver um abalo na questão cultural do nosso povo, com essa divisão”.

Claudete Dias, renomada historiadora, apontou a questão da identidade cultural como um dos empecilhos, uma vez que não formamos, ainda, a nossa e já vem uma divisão político-administrativa. “Como fica a minha identidade?”, indagou ela, desalentosamente.

Nazareno Fontelles, deputado federal, trouxe à tona a velha discussão sobre as elites políticas, como obstáculo para a criação de uma nova estrutura para o novo ente.

Lázaro do Piauí, músico, preocupou-se com o seu sobrenome artístico, afinal, ao dividir o Estado, na cabeça dele, a sua “marca” – sobrenome “Piauí” – seria reduzida!? O seu distintivo perder-se-ia diante da cisão. Meu Deus!

Na minha colossal ignorância, incrementada pelo meu desconhecimento não menos abissal sobre cultura e política, fiquei com meus botões a refletir sobre esses posicionamentos.

Não consegui vislumbrar o abalo na cultura do nosso povo, vocalizado por Merlong. Pelo que eu sei, cultura é um bem que transcende fronteiras administrativas e políticas. Não se esquadrinha. Não sofre limitações por conta de uma decisão político-administrativa que tem por fim delimitar áreas e atuação de governo. 


Cultura não sofre limitações por causa de uma decisão política
Cultura não “precisa” de território, embora sofra influência dele. Está incrustada no falar, no agir, no ser. Portanto, piauienses da gema, ao “abrir” mão de parte de seu território, vocês não estariam abrindo mão de seu patrimônio cultural.

Se o Piauí deixasse de existir, hoje, ainda assim não existiria uma liga, um liame que uniria e robusteceria a tal “piauiensidade”, tão cantada e exaltada.

Quanto à identidade cultural, como bem disse a historiadora, não temos ainda nenhuma definida. Se não temos – pode-se contestar isso –, não há o que se perder. E, convenhamos, antes da identidade, vem a dignidade, vem a sobrevivência, só obtidas com medidas políticas efetivas que possibilitem o acesso aos bens básicos para sobrevivência.

Quanto à elite política, ávida pelos cargos e benesses do novo ente, a crítica é pertinente, mas com todo e admiração que nutro pelo Deputado Nazareno Fontelles, não pode ser feita, sem uma imensa autocrítica, do político que faz parte de um partido que se aliou escancaradamente ao velho coronelato mais viciado de nossa triste história republicana. Só um exemplo rápido: o apoio do PT do Maranhão aos Sarneys, imposto por Lula.

Quanto ao “Piauí” do Lázaro, não há riscos. O divulgador-mor da “piauiensidade” não deve se apoquentar. O seu nome será preservado, com ou sem divisão. Os possíveis gurgueienses não exigirão a retirada do seu sobrenome para curti-lo, para apreciar os seus forrós. Quem sabe, aí seria uma grande homenagem, não haveria uma campanha para aumentar o seu nome: Lázaro do Piauí e do Gurguéia. Perderia o apelo promocional, pela extensão do patronímico, mas emprestaria ao artista uma identidade maior, mais larga e menos paroquial.

Pois bem. Trago essas considerações não para desestimular os contrários à divisão, e muito menos, para hipotecar o apoio incondicional aos divisionistas. Não, absolutamente. Na verdade, a idéia é só pinçar algumas incongruências que considero importantes nessa discussão acalorada. Na hora do embate, é preciso se preocupar com a contra-ideia, com os contra-argumentos.

A discussão é boa, mas, confesso, começa a me entediar. Deixarei para os “entendidos”, conhecedores de fundo de nossas (in)capacidade econômica, das nossas potencialidades turísticas, das nossas identidades históricas (ou da falta delas) na discussão.

Como reles escrevinhador metido, não tenho muito a acrescentar, a não ser algumas impropriedades retóricas deste ou daquele grupo”.